Comprador misterioso paga US$ 140 milhões por jornal em Las Vegas
Redação DM
Publicado em 13 de dezembro de 2015 às 23:55 | Atualizado há 11 anosLAS VEGAS — Negociações no mercado de mídia são normais, mas a venda do “Las Vegas Review-Journal”, considerado o maior jornal do estado americano de Nevada, se transformou em um mistério. Ninguém sabe a identidade dos novos donos, nem mesmo os funcionários do diário fundado em 1909, que possui tiragem de aproximadamente de 200 mil exemplares. A falta de transparência levanta questões éticas e temores sobre fins políticos da compra.
Matéria publicada na última sexta-feira, pelo próprio “Las Vegas Review-Journal”, questiona “quem agora comanda o maior jornal de Nevada? As respostas ainda não são claras”. O valor elevado do negócio também chamou atenção do repórter, James DeHaven, que assinou a reportagem. O negócio foi fechado por US$ 140 milhões, cerca de US$ 38 milhões a mais que o grupo de investimento New Media pagou, neste ano, por uma cadeia nacional que incluía o “Review-Journal”, oito outros diários e 65 revistas semanais.
“O valor aponta para investidores com bolsos fundos e, talvez, um desejo mais profundo de ser dono do maior jornal de Nevada”, escreveu DeHaven.
A única certeza é que o “Review-Journal” foi comprado pela News + Media Capital Group LLC, com sede em Delaware, e que parece ter sido criada apenas para a compra do diário. Michael Schroeder, gerente do grupo, se negou a divulgar os nomes dos investidores, assim como o publisher do diário, Jason Taylor.
À redação, Taylor afirmou apenas que o News + Media Capital Group LLC tem múltiplos investidores, sendo alguns de Las Vegas, e garantiu que as decisões editorias não serão comprometidas pelo negócio.
E o desconhecimento dos donos gera desconfiança em relação a possíveis fins econômicos ou políticos do negócio. Jon Ralston, repórter político de Nevada, disse à CNN que existem especulações de que o comprador seria um bilionário local, com negócios em cassinos, que possui um jornal em Israel que é usado para causar influência política. No caso, os EUA se aproximam do pleito que irá escolher o sucessor de Barack Obama na Casa Branca.
— Um dos primeiros pensamentos que tive foi: Nevada tem uma das primeiras primárias. O “Review Journal” é o maior jornal do estado. Teria sido vendido para um concorrente, ou pessoas que querem concorrer? — questionou o crítico de mídia Jay Rosen, da Universidade de Nova York. — É um pouco conspiratório apesar de possuir base. Claro, não é possível saber enquanto os donos continuarem escondidos. Essa é a questão.
Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab, na Universidade Harvard, afirmou que caso semelhante só aconteceu há mais de um século, e a não identificação dos donos levanta, sim, questões éticas.
— Eu acredito que isso aconteceu, por exemplo, com os jornais Hearst, quando o Hearst estava se mudando para um cidade onde enfrentaria oposição pública — disse Benton.— Mas estou certo que existem questões éticas. As decisões de qualquer jornal devem ser abertas a julgamento dos leitores e do público, e esses julgamentos são prejudicados se o público não souber quem são os donos.