Economia

Controle de gastos, a primeira meta do investidor em 2016

Redação DM

Publicado em 28 de dezembro de 2015 às 04:06 | Atualizado há 10 anos

SÃO PAULO – A perspectiva econômica para 2016 não é nada animadora para quem precisa colocar as contas em ordem ou mesmo iniciar ou manter uma carteira de investimentos. O que se espera para o próximo ano é mais uma contração na atividade econômica, inflação ainda em patamares elevados e desemprego avançado. Em meio a esse quadro, o controle dos gastos — já que é mais difícil conseguir uma nova renda ou reajustes de salários — será fundamental para não comprometer o equilíbrio financeiro.

Sérgio Lima, analista de comércio exterior, sabe bem como é difícil sair de uma situação de desequilíbrio. Ele levou dois anos para conseguir se livrar das dívidas. Com as contas organizadas, passou a poupar e aprendeu a apertar o cinto quando é necessário.

— Foi um processo longo de desequilíbrio financeiro, e a pior fase foi em 2010. Para sair dessa situação, adotei algumas técnicas, como pagar primeiro as dívidas de menor valor e, à medida que tinha uma folga, quitava as maiores. Agora, ensino esse cuidado aos meus filhos. Já deixei claro o que pode acontecer quando se perde o controle financeiro — explicou, destacando que, desde o fim de 2012, consegue poupar e, a partir de janeiro, passará a investir em títulos públicos.

linha de crédito mais barata

Na avaliação do presidente do Comitê de Educação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Aquiles Mosca, o controle é essencial, e a prioridade deve ser o pagamento das dívidas, ainda mais em um cenário de maior risco de desemprego e juros altos — a Taxa Selic está em 14,25% ao ano e pode subir para segurar a inflação.

— A preocupação número um deve ser reduzir o endividamento. Com juros em patamar elevado, o custo de carregar dívida é muito alto. Quem não fizer isso vai se enrolar mais — disse Mosca.

E assim como Lima, Mosca aconselha envolver a família no planejamento do orçamento. Dessa forma, fica mais fácil atingir o equilíbrio. Segundo ele, algumas pessoas têm dificuldade em saber o quanto do orçamento está comprometido com gastos fixos. Na classe C, a estimativa é que uma parcela de 70% dos rendimentos sejam destinados a despesas como conta de luz, aluguel e alimentação.

— Nos gastos fixos, não se consegue mexer muito, mas dá para reduzir despesas com jantares fora de casa. É nos gastos variáveis que está a chave para a revisão de hábitos de consumo — explicou Mosca.

Nesse planejamento, despesas de início de ano, como pagamento de IPTU e IPVA e gastos com material escolar, não podem ficar de fora.

Amerson Magalhães, diretor da Easynvest, avalia que o planejamento é prioridade para manter as contas em ordem. Com o orçamento apertado e maior dificuldade em conseguir renda extra, ele recomenda o parcelamento dos tributos obrigatórios. Isso porque, em geral, o desconto para pagamento à vista é menor do que o juro de um empréstimo.

— Mas se houver mesmo a necessidade de um empréstimo, o ideal é buscar linhas de crédito mais baratas, como o consignado, e não aquelas que são de fácil acesso, como cheque especial e cartão de crédito — explicou.

O juro do cheque especial está em 278,1% ao ano e o do rotativo do cartão, em 406,1%. Já a taxa média do consignado está em 28,1%.

Para quem vai ter de se esforçar pouco para fazer o ajuste financeiro, o momento é de concentrar os esforços na criação de uma reserva financeira.

— Os juros atuais favorecem quem está poupando e penalizam muito quem está tomando crédito. O ano vai começar de forma conservadora, por isso a opção pela renda fixa — disse Magalhães.

Para quem ainda não tem reservas, o diretor da Easynvest recomenda apostar em alternativas de liquidez elevada, ou seja, que possam ser resgatadas imediatamente em caso de emergência. Nesse sentido, ele recomenda a aplicação em um título público conhecido como Tesouro Selic (antiga LFT), que acompanha a taxa básica de juros.

Se a poupança para emergências já está feita, a dica é manter o dinheiro na renda fixa, mas em opções de prazo mais longo. Em muitas delas, existe carência para resgatar o dinheiro. Nessa categoria, entram os CDBs e as letras financeiras oferecidas pelos bancos e que possuem cobertura de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), caso a instituição financeira enfrente algum problema. Ainda em relação aos títulos públicos, outras opções são o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA, que estão pagando perto de 18% ao ano.

aposta na renda fixa

Com exceção das letras financeiras, é preciso ficar atento ao Imposto de Renda. A alíquota é regressiva. Ela é maior quando o resgate é feito em até 180 dias (22,5% sobre os rendimentos) e menor (15%) quando o resgate é feito após dois anos.

Álvaro Bandeira, economista-chefe do ModalMais, aconselha a aplicação na renda fixa. Ele lembra que diversos bancos estão oferecendo CDBs com taxas de 115% do CDI (taxa interbancária que acompanha de perto a Selic). Como contam com a proteção do FGC, acabam dando segurança ao investidor e melhor rentabilidade.

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— Mas essas taxas em geral são para quem tem ao menos R$ 1.000 para investir. Se você tem menos que isso, pode investir no Tesouro Direto e depois fazer a migração — explicou.

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