Economia

Copom abre reunião, mas cenário não permite ver aumento de juros

Redação DM

Publicado em 24 de novembro de 2015 às 04:05 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Com a economia em recessão e um déficit fiscal bilionário anunciado para 2015, analistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai manter a taxa básica de juros (Selic) no patamar atual, de 14,25%, na reunião desta quarta-feira, mesmo com a inflação em alta. Na visão deles, o Banco Central teria pouca eficácia se decidisse elevar a Selic neste momento. No governo, fontes avaliam que a indefinição da política fiscal impede o BC de fixar um prazo mais preciso para o retorno da inflação ao centro da meta e deve manter a taxa básica como está até que o cenário fiscal fique mais claro.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que o mercado está sendo influenciado pela má condução da política fiscal, uma vez que o governo tem dificuldades em aprovar medidas do ajuste no Congresso.

— Uma alta agora não vai contribuir de maneira efetiva para mudar as expectativas. A queda no Produto Interno Bruto (PIB) já está fazendo o trabalho sujo da Selic — diz, referindo-se ao efeito da recessão sobre os preços.

O economista da Tendência Consultoria, Rafael Bacciotti, lembra que o BC já sinalizou que não trabalha com convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016, o que diminui a urgência de elevar a Selic:

— O BC está atento à convergência num prazo mais longo.

Segundo um integrante da equipe econômica, a falta de clareza sobre o quadro fiscal e o fato de o Orçamento de 2016 ainda não ter sido aprovado impedem que o Banco Central fixe uma data precisa para trazer a inflação para a meta. A consequência ruim é que as expectativas para os preços ficam cada vez mais “desancoradas”, ou seja, sem um norte. A simples definição sobre aumentar ou não a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os combustíveis, já daria um horizonte melhor.

— Isso importa mais do que saber se o ministro da Fazenda fica ou não no cargo — diz o integrante do governo.

A preocupação da equipe econômica não é apenas com a disparada das projeções de inflação. O fato de as previsões estarem muito diferentes também é preocupante, segundo avaliação de um integrante.

Quando as expectativas estão muito distanciadas, os empresários passam a embutir essas estimativas nos preços e a tendência é majorá-los pelas previsões mais altas.

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