Da refinaria de petróleo para o táxi na madrugada
Redação DM
Publicado em 8 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosRIO – Funcionário de uma prestadora de serviços da Petrobras, nunca faltou emprego para o técnico mecânico Jader Krug, de 32 anos. Ao menos costumava ser assim, antes de a Petrobras entrar em crise, afetada pelo escândalo de corrupção revelado na Operação Lava-Jato e pela queda no preço do petróleo. As obras na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, onde Krug trabalhava, foram afetadas e ele perdeu o emprego em novembro do ano passado. Bateu o desespero.
– “Caramba, o que faço agora?”, pensei. Minha esposa estava grávida e, como trabalhava no mesmo local que eu, ficaria sem emprego também. A equipe dela já estava sendo desmobilizada. Mandei currículo para tudo quanto foi lugar. Mas as propostas salariais eram indecentes – conta.
Em janeiro, o casal voltou a morar em Niterói para reorganizar a vida. Venderam o terreno e cancelaram o financiamento do apartamento na planta que haviam feito antes da turbulência econômica, pois já não tinham condições de pagar as prestações. Só na negociação com a incorporadora perderam R$ 88 mil dos R$ 200 mil aplicados no imóvel. Nessa época, Jader recebeu uma proposta para trabalhar como taxista. Não pensou duas vezes, pois o retorno financeiro seria imediato.
– O táxi depende do teu trabalho. É cansativo, tem muita concorrência. Mas, se você se dedicar, dá para fazer uma boa grana. Depois de alguns meses, surgiu a oportunidade de comprar uma autonomia e resolvi investir o que tinha – conta.
A renda do casal foi reduzida a um terço da anterior. Krug e a mulher se mudaram para um apartamento no Barreto, em Niterói. Hoje, Jader trabalha 12 horas por dia sem direito a folga, sempre das 17h às 5h para faturar mais com a bandeira 2. A rotina atual é bem diferente da que ele tinha em Pernambuco, onde a jornada de trabalho era de 8h, de segunda à sexta-feira, e o aluguel era pago pela empresa.
– Estamos nos adaptando a uma nova realidade. Minha mulher está de licença maternidade, ainda temos plano de saúde. Mas a empresa já pediu que ela encaminhe documentos para a demissão. Vamos fazer um plano de saúde para o bebê. Antes, investíamos. Agora, trabalho para nos manter. Nunca mais vou comprar algo com ajuda de banco. Se tua renda cessa, não tem como pagar. Quando puder voltar a investir, vai ser à vista.