Economia

David Bowie e a inovação dos títulos garantidos por royalties de música

Redação DM

Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 04:50 | Atualizado há 10 anos

LONDRES – O cantor e compositor David Bowie, que morreu neste domingo após lutar 18 meses contra um câncer, foi pioneiro ao lançar no mercado financeiro os rendimentos futuros de sua música. Em 1997, o inglês vendeu títulos de dez anos atrelados aos royalties das músicas que ele já havia gravado. Na época, ele conseguiu um total de US$ 55 milhões com a iniciativa.

Mas, apesar de ter sido o primeiro, Bowie não foi o único. Após ele lançar os papéis que ficaram conhecidos como “Bowie bonds”, James Brown, Rod Stewart e a banda Iron Maiden fizeram o mesmo. Vender títulos garantidos por royalties permite que os artistas levantem dinheiro sem precisar vender os direitos de seu trabalho ou esperar anos para que os pagamentos pinguem na conta.

Os títulos não foram a única incursão de Bowie fora do campo da música. Em 1998, ele lançou, por meio da UltraStar, o BowieNet, seu próprio provedor de internet. No texto de apresentação, a empresa afirmava que cada usuário tinha direito a um e-mail @davidbowie, além de espaço de 20MB para montar sua e a algo que outros provedores não poderiam oferecer facilmente: oportunidade de conversar com Bowie e outros artistas em chats no portal.

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— Os títulos de Bowie foram tão inovadores quanto sua música — disse Rob Ford, gestor da TwentyFour Asset Management. — Não só eles foram seguidos por um número de outros artistas, como também serviram de modelo para negócios garantidos por toda uma gama de ativos.

Os “Bowie bonds” foram vendidos para a Prudential Insurance, dos Estados Unidos. Os papéis inicialmente receberam um A3 da agência de classificação de risco Moody’s. A nota é a sétima mais alta do chamado grau de investimento. Nos anos 2000, a pirataria de músicas na internet afetou as vendas, e a Moody’s revisou o para baixo, aa Baa3, um nível acima do grau especulativo.

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Os papéis foram pagos após dois anos, e as notas foram retiradas, disse o porta-voz da Moody’s Thomas Lemmon. John Chartier, um porta-voz do Prudential, não quis comentar a performance dos títulos.

Para David Pullman, banqueiro de Los Angeles responsável pelo lançamento dos “Bowie bonds”, o cantor “mudou a forma que as pessoas pensam sobre arte e comércio”.

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