Dirceu alerta contra ataques à Petrobras
Redação DM
Publicado em 1 de julho de 2015 às 00:21 | Atualizado há 11 anosEx-deputado petista e ex-ministro de Lula, José Dirceu mantém atualmente um blog onde posta textos opinativos de aliados e simpatizantes. Ontem o blog teceu comentários sobre o que considera ser uma ofensiva conservadora sobre os direitos humanos é a mesma que pretende acabar com o regime de partilha na Petrobras
Segundo o blog, há uma ofensiva conservadora no Brasil, não apenas em relação à redução da maioridade penal ou sobre os direitos humanos, ou mesmo a temas como a homofobia e o Estado Laico. Esses temas têm importância real na luta pela igualdade e contra todo tipo de preconceito e segregação social. E o rolo compressor contra eles está ligado a uma tentativa mais ampla de atropelar direitos no país. É só ver de onde partem os ataques e reparar no projeto de país que seus operadores defendem.
A derrota do Estatuto do Desarmamento e aprovação das mudanças para pior no Código Florestal foram os primeiros sinais dessa ofensiva, que tem no Congresso Nacional uma forte maioria parlamentar . A reforma política, até agora fracassada, seria a mais recente tentativa desse bloco parlamentar conservador de moldar as instituições e os direitos conforme seus interesses e visão do mundo.
Recorde-se que, na campanha presidencial de 2010 o candidato tucano José Serra se entregou de corpo e alma ao discurso conservador em matéria de valores, moral e costumes. Agora encabeça outra cruzada, a par da luta mais geral de desmonte do Estado brasileiro, visando ora bancos públicos ora o nascente Estado de Bem Estar Social e o projeto de desenvolvimento nacional. Sua mais nova cruzada é contra o modelo de partilha da Petrobras, aprovado nos segundo governo Lula, que colocou a serviço da nação e do desenvolvimento a extraordinária riqueza do pré-sal.
Nesta cruzada, cujo alvo principal são o conteúdo nacional e o papel da Petrobras como única operadora do pré-sal, estão em jogo a soberania nacional e a própria Petrobras. O modelo de partilha assegura à empresa e à nação não apenas o controle dos recursos naturais do pré-sal. Assegura que a maior parte da renda do petróleo e do gás a ser explorado e comercializado seja apropriada pelo governo e investida em saúde, educação, infraestrutura, inovação e meio-ambiente. O investimento desses recursos, dessa maneira, está definido no regime de partilha. O modelo do pré-sal cria condições para superar a falta de recursos públicos para investimento e permite, inclusive, a redução de nossa dívida interna e do seu serviço, que hoje consome 6% do PIB brasileiro.
A imensa, fantástica, cadeia produtiva do petróleo, gás e energia, ao lado das concessões na infraestrutura e das exportações, garantem o crescimento do país e a combinação de investimentos públicos e privados necessários ao fortalecimento da economia nacional produtiva – hoje subordinada ao interesses do capital financeiro bancário.
O sucesso do pré-sal está em seus resultados. Quase 800 mil barris de petróleo extraídos com tecnologia nossa, da Petrobras, em apenas cinco anos. A empresa se recupera rapidamente, tanto da queda do preço do petróleo (seu custo de exploração é de US$ 9 o barril), quanto da crise da Lava Jato. A empresa retomou o acesso ao crédito internacional, tem R$ 62 bilhões em caixa, lucro de R$ 5,3 bilhões no último trimestre, geração de caixa EBITDA de R$ 21,5 bilhões de reais.
A defesa da Petrobras se confunde com a defesa da soberania e o desenvolvimento nacional, do nosso parque industrial e de toda cadeia produtiva de petróleo e gás. Daí a defesa do conteúdo nacional, a alternativa e a submissão do Brasil ao capital financeiro internacional e o desmonte do Estado Brasileiro. Os bancos públicos serão o próximo alvo do tucanato. O blog faz, diariamente, críticas à política econômica do governo. Mas isso não quer dizer, afirma, que vai abir mão de reagir contra o desmonte de tudo o que foi construído nos governos de Lula e de Dilma. Encerra o blog exortando os brasileiros a defender a Petrobrás e o mandato de Dilma, contra toda forma de golpismo. E conclui: “É hora de uma ampla frente em defesa da Petrobras e da indústria nacional. É hora da defesa do Brasil”.