Dívida sem Papai Noel
Redação DM
Publicado em 23 de novembro de 2015 às 04:08 | Atualizado há 11 anosCerca da metade de todos os pagamentos no Brasil — em número de transações — ainda é feita em dinheiro vivo. A outra metade, em valor bem mais expressivo, ocorre por transferência bancária ou uso dos mais variados tipos de cartões de compra, débito ou crédito, que já somam aproximadamente 700 milhões no país.
Com as taxas de juros nos píncaros, é possível imaginar o impacto sobre o endividamento das famílias e das empresas, embora grande parte dos brasileiros seja igualmente “rentista”, no sentido que aplica o que pode em fundos, títulos do Tesouro, cadernetas, beneficiando-se dos rendimentos financeiros. Em plena crise, os fundos de previdência complementar continuaram atraindo novos adeptos este ano. Os especialistas imaginavam que essa modalidade havia chegado ao total de potenciais poupadores, ou seja, todos aqueles com renda média mensal ligeiramente acima do teto de benefício do INSS (R$ 4 mil líquidos). Mas essa barreira foi ultrapassada, e mesmo muitos que se aposentarão pelo INSS mantendo um rendimento no mesmo patamar que ganham trabalhando têm aderido à previdência privada.
Não deixa de ser um bom sinal, porque os brasileiros estão aprendendo a poupar para seu próprio futuro. Mas, pelo lado da dívida, os brasileiros estão no começo do aprendizado. E isso se estende a nossos governantes, que foram imprevidentes ao se comprometerem com despesas que superam a capacidade de pagamento do setor público, causando um déficit que passou a ser estancado somente este ano, e aos trancos e barrancos. Em vez de acender uma vela pedindo vida longa por Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda, tem gente achando que é possível continuar com a farra mandando às favas o ajuste fiscal. Por mais bondoso que seja, Papai Noel não tem recursos para pagar essa conta…
Antirrejeitos
Para elevar o teor de ferro (geralmente para um percentual em torno de 60%), o minério é beneficiado em um processo que utiliza água para separar elementos como sílica (areia) e argila. Ao fim do beneficiamento, há um “rejeito” com baixo teor de ferro, muita sílica, argila e água. Há minérios que contêm naturalmente mais teor de ferro e não passam por tal processo, como acontece em Carajás, no Pará. Mas para os tipos de minério de ferro de Minas Gerais, o beneficiamento é necessário, embora lá a proporção entre o volume aproveitado e o rejeito seja relativamente pequena para padrões mundiais.
A tecnologia do beneficiamento a seco está em evolução, para se evitar a utilização de água, cada vez mais escassa. Processos para reaproveitamento dos rejeitos, com ultracentrifugação magnética e gases, estão também se aprimorando, com a retirada de sílica e argila para a construção civil. O rejeito volta, dessa forma, a ser um minério comercializável. Mas não se chegou a um processo econômico em larga escala.
Por causa da água misturada ao ferro, argila e areia, os rejeitos precisam ficar depositados em área bem segura, sem risco de um rompimento como este que aconteceu em Mariana, causando uma enorme tragédia humana e ambiental. A retirada da água contida nos rejeitos, para reutilização, é outra tecnologia que já está sendo testada na prática, em Brumadinho. Dessas tecnologias depende o futuro da mineração. Lavras que ponham a natureza e a população em risco não mais serão aceitas nem aqui e nem em qualquer outra parte do planeta, incluindo a China, onde aparentemente valia tudo.
Marcas conscientes
Há vários movimentos, a maioria com origem em economias ricas, que buscam tornar o consumidor mais consciente, mais preocupado com a consequência dos seus atos. Para esses movimentos, a era do consumo exacerbado, compulsivo, terá de chegar ao fim para que a Terra sobreviva. Talvez seja uma nova forma de pensar o capitalismo, ao qual se engajam até mesmo economistas que não são antimercado ou que tenham ojeriza ao lucro, etc., como é o caso de André Lara Resende, autor de vários artigos e de um livro recente, nessa linha.
Se do lado da demanda já há um início de transformação, pelo lado da oferta a mudança também é necessária. E é nisso que aposta uma jovem profissional carioca que antes se dedicava ao gerenciamento convencional de marcas. Com a sua AV/O, Carolina Fernandes se embrenhou pelo chamado consciente, que ainda é uma novidade no Brasil. O reposicionamento de marcas deve se vincular ao que há de bom atrás delas (se é que de fato tenha algo nesse sentido), seja em termos de ganhos sociais ou da sustentabilidade. O lançamento de um ponto de venda não pode deixar de ter preocupação com as embalagens (se são retornáveis, biodegradáveis etc.). Deve ser repensado como um todo. Para venda de pescados em sua primeira loja no Leblon, Carolina orientou a Frescatto para que os atendentes estejam preparados a fornecer informações ao consumidor sobre alimentação saudável, quantidades adequadas aos pratos, formas de preparo, e por aí vai. Não por acaso Carolina decidiu localizar a AV/O próxima ao Jardim Botânico, no Rio. O bairro tem tudo para aderir ao consciente.
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