Dólar abre em alta com foco em dados de emprego dos EUA e expectativa sobre juros
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 1 de julho de 2026 às 11:24 | Atualizado há 1 hora
Investidores acompanham indicadores de emprego e aguardam novos sinais sobre a política monetária do Fed | Foto: Getty
O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (1º), seguindo o que acontece no exterior na comparação com outras divisas. Os investidores aguardam a divulgação de novos dados de emprego nos EUA nesta quarta, que podem apontar o caminho que o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) na política monetária.
Às 9h18, a moeda norte-americana subia 0,48%, cotada a R$ 5,1876. Na terça-feira (30), o dólar fechou em queda de 0,17%, a R$ 5,163, e a Bolsa caiu 0,61%, a 172.024 pontos.
Mercado acompanha indicadores de emprego
O dia foi embalado por dados de emprego do Brasil e dos Estados Unidos, com investidores atentos às trajetórias de juros dos dois países.
No Brasil, os dados de emprego medidos pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostraram que 72,9 mil vagas de trabalho formal foram abertas em maio, o segundo mês seguido que a geração de empregos bate recorde negativo, com o pior resultado para maio desde 2020, ano da pandemia. Em abril, foram geradas 85 mil vagas, também pior resultado em seis anos.
O resultado “aponta para uma perda de fôlego do mercado de trabalho formal”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
“Ainda é cedo para tratar esse movimento como tendência consolidada de desaceleração, mas o BC deve olhar o dado com atenção, sobretudo num momento em que o impulso fiscal de ano eleitoral e a desancoragem das expectativas de inflação já preocupam o Copom (Comitê de Política Monetária).”
A leitura é que, com o mercado de trabalho perdendo ímpeto, a pressão inflacionária sobre a economia pode desacelerar, dando espaço para o Copom seguir cortando a Selic e convergir o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) à meta de 3% até o último trimestre de 2027, o horizonte relevante do comitê.
Dados dos Estados Unidos entram no radar
Em paralelo, as vagas de emprego em aberto aumentaram em maio nos Estados Unidos, segundo o relatório Jolts (pesquisa de vagas de emprego e rotatividade de trabalho). As contratações ainda permaneceram fracas, sugerindo que o mercado de trabalho permanece em um patamar estável apesar de três meses consecutivos de forte crescimento.
O aumento foi de 9 mil, chegando a 7,594 milhões no último dia de maio. O relatório oficial de emprego dos EUA para junho, o “payroll”, será divulgado na quinta-feira (2).
Assim como no Brasil, as divulgações ajudam a calibrar as expectativas para a trajetória dos juros dos Estados Unidos. O Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) baliza as decisões de política monetária a partir de dados de emprego e de inflação. O objetivo é atingir a máxima empregabilidade e convergir o índice inflacionário de referência, o PCE, para a meta de 2% ao ano.
“Um mercado de trabalho aquecido incentiva que os preços ao consumidor fiquem mais altos, o que pode levar o Fed a manter os juros mais altos por mais tempo para controlar essa pressão”, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
Postura do Fed influencia os mercados
A política monetária dos Estados Unidos voltou aos holofotes após a última decisão do Fed, a primeira com Kevin Warsh à frente do banco central.
Ainda que os juros tenham sido mantidos na faixa de 3,5% e 3,75% ao ano, como amplamente esperado, o mercado interpretou a comunicação dos dirigentes e as expectativas deles para o próximo semestre como “hawkish”, isto é, agressiva no combate à inflação.
No comunicado sobre a decisão, o Fed voltou a defender que pretende “garantir a estabilidade de preços” e “manter reservas amplas no sistema bancário”. O comitê alertou para o momento de “elevada incerteza” causada “em parte pelo conflito no Oriente Médio”.
“O mercado buscava sinais de uma postura mais favorável a cortes, mas Warsh estreou reforçando o compromisso com a inflação e com a credibilidade do Fed. No fim, mais do que a decisão em si, a mensagem mexeu com as expectativas para os próximos meses”, diz Cleiton Souza, sócio-fundador da Private Investimentos.
Agora, segundo dados da ferramenta CME Fed Watch, mais de 80% dos operadores esperam que o Fed suba a taxa de juros no encontro de setembro.
Juros mais altos nos Estados Unidos são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quanto maior a taxa, pior para ativos emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.
Oriente Médio segue no foco do mercado
De pano de fundo, o mercado ainda monitora o andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, que tentam sustentar uma trégua ainda frágil no Oriente Médio.
Equipes de negociação dos dois países deveriam chegar a Doha nesta semana, mas o Irã informou na segunda-feira que nenhuma reunião entre as partes havia sido agendada.
O final de semana foi marcado por ataques mútuos entre Teerã e Washington, apesar do memorando de entendimento assinado em 17 de junho. A escalada militar foi freada ainda no domingo, quando uma autoridade norte-americana afirmou que os dois países haviam concordado em suspender as hostilidades e retomar as negociações.