Economia

Dólar é negociado em alta após BC anunciar redução da oferta da divisa

Redação DM

Publicado em 6 de julho de 2015 às 15:40 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Num dia sem as Bolsas americanas e com incertezas sobre o plebiscito na Grécia, o dólar comercial sobe frente ao real e a Bolsa se desvaloriza, acompanhando tendência global. No cenário doméstico, o Banco Central anunciou redução na oferta de moeda americana ao mercado, o que pressiona ainda mais a divisa. Às 13h06m, o dólar comercial estava sendo negociado a R$ 3,135 na venda, com valorização de 1,22%. Na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 3,140 e na mínima recuou a R$ 3,114.

O Banco Central anunciou, na noite de ontem, que vai reduzir a rolagem dos lotes de contratos de swap cambial com vencimento em agosto, para 6 mil contratos ante 7,1 mil rolados anteriormente. Com isso, serão rolados 56,72% do lote de US$ 10,6 bilhões que vence em agosto. Ao longo do mês, o BC já havia reduzido o percentual de rolagem desses papéis, por duas vezes, mas mesmo assim a moeda americana terminou junho com desvalorização de 2,4% frente ao real.

Para o sócio da corretora Pionner, João Medeiros, a estratégia do BC ao reduzir a oferta de swaps cambiais é manter o dólar num piso informal entre R$ 3,08 e R$ 3,10.

– Se o dólar cair, como aconteceu ontem, o BC vai aproveitar para reduz a oferta de swap cambial, um contrato no mercado futuro que dá proteção aos investidores. Com isso, a moeda tende a subir para o piso informal entre R$ 3,08 e R$ 3,10 e o BC reduz sua exposição a esses contratos, que somam mais de US$ 100 bilhões – observa Medeiros.

Segundo o especialista, a expectativa é que a moeda americana chegue ao final do ano flutuando entre R$ 3,20 e R$ 3,27, dando competitividade às exportações, além de reduzir a demanda por produtos importados, que sobem de preço.

– Com a recente queda da moeda abaixo dos R$ 3,10, o BC se sentiu seguro para adotar tal medida. Com isso, o dólar opera em alta, recuperando parte da baixa de ontem – diz relatório de Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Ontem, a moeda americana apresentou sua maior queda frente ao real em dois meses e meio, após a divulgação de que a economia americana gerou menos postos de trabalho que o esperado em junho. A moeda caiu 1,55%, cotada a R$ 3,095 para compra e a R$ 3,097 para venda, a maior baixa diária desde 14 de abril e a menor cotação desde 23 de junho.

BOLSAS NOS EUA ESTÃO FECHADAS

Nesta sexta, as bolsas americanas ficam fechadas com as comemorações do Dia da Independência dos EUA, 4 de julho. Sem os investidores americanos, a sessão é de poucos negócios tanto no câmbio quanto nas Bolsas. O mercado também mantém cautela antes do plebiscito na Grécia, marcado para domingo, onde será decidido se o país aceita ou não mais medidas de austeridade impostas pelos credores em troca de novos empréstimos.

Na Ásia, os principais pregões fecharam em queda, e na Europa a tendência também é de baixa com as incertezas trazidas pelo plebiscito da Grécia. No Brasil, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações, acompanha o movimento global e se mantém em queda desde a abertura. Às 13h06m, o índice recuava 1,18% aos 52.478 pontos e volume financeiro de apenas R$ 1,2 bilhão.

– Os investidores reduzem sua exposição ao risco, enquanto se espera pelo referendo na Grécia. A ausência de investidores internacionais, com o feriado nos EUA, também prejudica os negócios. Acredito, que o giro financeiro deverá ficar em R$ 3,5 bilhões hoje, frente à média de R$ 5 bilhões dos demais dias da semana – diz Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

Para ele, além dos fatores pontuais como Grécia e ausência de investidores estrangeiros, a Bolsa brasileira reflete as condições fracas da economia, com baixo crescimento, dados ruins de emprego e atividade industrial.

A maior alta do pregão é apresentada pelas ações ordinárias (com direito a voto) da Qualicorp. Os papéis da empresa sobem 1,22% a R$ 21,51. Na ponta das baixas, os papéis preferenciais da Marcopolo perdem 4,20% a R$ 2,28.

Os preços do minério no mercado à vista da China renovaram nesta sexta-feira a mínima de 10 semanas, no sétimo dia consecutivo de perdas, em meio a um aumento na oferta e uma redução na demanda das siderúrgicas locais. O preço do minério caiu para US$ 54,10 dólares por tonelada, menor nível desde 23 de abril, segundo o The Steel Index. As ações PNA da Vale recuam e 1,68% a R$ 15,20 e os papéis de siderúrgicas também estão em queda..

Já as ações preferenciais da Petrobras perdem 3% a R$ 11,93, com a informação de que o rombo nos cofres da empresa, com desvios de contratos, chega a R$ 19 bilhões, segundo as investigações da Operação Lava Jato.

NA GRÉCIA, INDECISÃO

Duas pesquisas divulgadas . O governo pede que a população vote “não” às medidas de austeridade impostas pelos credores e planeja usar este resultado para obter melhores condições num acordo. Na primeira pesquisa, a campanha do ‘sim’ lidera com pequena margem, segundo levantamento do instituto Alco para o jornal grego Ethnos. O levantamento mostrou que 44,8% dos gregos votarão ‘sim’, enquanto 43,4% votarão ‘não’ e 11,8% estão indecisos. Mas a margem de erro da pesquisa é de 3,1 pontos percentuais, o que na prática indica empate técnico.

[object Object]

Já uma sondagem realizada pela Bloomberg News mostra empate técnico, com 43% pretendendo dizer “não” aos termos exigidos por Fundo Monetário Internacional (FMI), banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE).

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia