Economia

Dólar sobe mais de 1% na abertura com conflito no Oriente Médio no radar

Heloysa Camilo - Estágio DM

Publicado em 3 de março de 2026 às 11:13 | Atualizado há 3 meses

Dólar avança acima de R$ 5,24 com busca global por ativos considerados mais seguros | Foto: André Coelho/EFE
Dólar avança acima de R$ 5,24 com busca global por ativos considerados mais seguros | Foto: André Coelho/EFE

O dólar abriu em alta firme nesta terça-feira (3), acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. Às 9h13, a divisa subia 1,45%, cotada a R$ 5,240. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, avançava 0,58%.

No cenário doméstico, investidores também repercutem os dados do PIB divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, menor taxa em cinco anos, após desaceleração no quarto trimestre, quando o avanço foi de apenas 0,1%.

Na véspera, o dólar já havia fechado em alta de 0,60%, a R$ 5,164, depois de atingir R$ 5,215 na máxima do dia. Já a Bolsa brasileira encerrou com ganho de 0,27%, aos 189.307 pontos, impulsionada principalmente pelas ações de petroleiras.

Moeda americana avança mais de 1% | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil /CP

Petróleo dispara e pressiona mercados globais

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã segue impactando os ativos financeiros. Os preços do petróleo dispararam após a ameaça de fechamento do estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial da commodity.

O barril do tipo Brent chegou a subir 13% na abertura do mercado internacional no domingo, atingindo US$ 81,89, maior valor intradiário desde 22 de junho de 2025. Nesta terça-feira (3), por volta das 8h45, era negociado acima de US$ 84,31, alta diária de 8%. O WTI, referência nos EUA, também avançou, superando US$ 74.

A ameaça partiu da Guarda Revolucionária Islâmica, que declarou que incendiará embarcações que tentarem cruzar o estreito. Dados de tráfego marítimo indicam que mais de 200 navios ancoraram na região após os ataques, elevando riscos e custos de seguro.

Na Europa, o clima foi de aversão ao risco. O índice EuroStoxx caía 3,27%, enquanto Frankfurt recuava 3,46%, Londres 2,60% e Paris 2,79%.

Guerra amplia incerteza

O conflito escalou no sábado (28), quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, matando o líder supremo Ali Khamenei e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Em resposta, o regime iraniano lançou ataques contra bases e portos ligados aos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra pode durar entre quatro e cinco semanas, mas que o país tem capacidade de prolongar o conflito se necessário. A declaração foi interpretada pelo mercado como tentativa de delimitar o horizonte de incertezas.

Especialistas apontam que o fechamento prolongado do estreito de Hormuz poderia levar o Brent a níveis próximos de US$ 100. Como o petróleo tem peso relevante nos índices de inflação, o impacto pode ser sentido globalmente.

No Brasil, há efeito ambíguo: o país pode se beneficiar como exportador de petróleo bruto, com possível impacto positivo no PIB e nas contas externas. Por outro lado, a alta internacional pressiona os preços de combustíveis e derivados importados, elevando riscos inflacionários.

Segundo o boletim Focus do Banco Central do Brasil, a projeção de inflação para 2026 está em 3,91%, dentro do intervalo de tolerância da meta de 3%, mas o levantamento ainda não incorporava os efeitos do conflito.

(Folhapress)


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