Economia

Em meio à crise, consumidores fazem fila em busca de preços baixos

Redação DM

Publicado em 16 de outubro de 2015 às 09:10 | Atualizado há 11 anos

RIO – No ano em que a inflação acumulada de janeiro a setembro é de 7,64% (a maior desde 2003), qualquer promessa de preços mais baixos atrai consumidores ávidos por ofertas. Com ou sem uma lista de compras na mão, centenas de pessoas aguardavam a abertura da filial do Guabanara de Niterói nesta sexta-feira, data do início do aniversário da rede, quando vários produtos são ofertados com desconto.

A dona de casa Ana Tereza Sales estava, pelo segundo ano seguido, na fila do gargarejo de uma das entradas da loja. Ela conta que chegou às 4h45m acompanhada de uma amiga. O objetivo, assim como no ano passado, era encher os carrinhos e garantir um estoque para a casa.

— Ainda tem coisa do ano passado: óleo, amaciante, sabão. Mas vamos comprar mais de outras coisas. Trouxe uma lista só para não esquecer nada, mas posso pegar mais — conta ela, que garante que o esforço vale a pena para uma economia que, estima, é de cerca de R$ 600.

Mas também houve quem tivesse pequenos negócios comprando materiais para preparar seus quitutes, como o comerciante João Lemos. Parte das compras que lotavam o carrinho que ele encheu sozinho — uma exceção, já que muitos vão acompanhados e deixam uma pessoa guardando lugar na fila, enquanto os outros pegam os produtos — era para fazer bolos:

— Uma parte é para consumo próprio e dura mais, mas o que é para os bolos, acaba rápido — explicou Lemos.

Entre os produtos mais procurados — e causadores dos maiores engarrafamentos de carrinhos de compra nos corredores — estavam as latas dos leites Ninho e Molico (ambas por R$ 6,99), as garrafas de sabão Ariel líquido de 5 litros (R$ 18,85) e também as de óleo de soja Leve (R$ 1,99). Para facilitar o trabalho de reposição, alguns setores tinham pilhas de caixas de produtos.

E, no meio de tanta procura, quem chegou mais tarde precisou enfrentar outro desafio antes de começar as compras: conseguir um carrinho. A saída encontrada por muitos foi abordar quem estava passando os produtos no caixa, caso da fonoaudióloga Rose Lourdes.

— Estou esperando há 20 minutos. Agora convenci esse pessoal a deixar o carrinho comigo. Eu estava esperando dois ali de outra fila, mas outra pessoa já tinha pedido antes — disse ela pouco antes de acompanhar a família “doadora” do carrinho até o estacionamento, onde descarregaria as compras.

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