Energia elétrica pode ficar mais cara em 2027 com impacto do super El Niño
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 31 de julho de 2026 às 16:21 | Atualizado há 59 minutos
Estudo aponta que mudanças no clima podem influenciar a geração de energia e pressionar as tarifas no país | Foto: Magnific
Um possível episódio de “super El Niño” pode pressionar o custo da energia elétrica no Brasil e provocar aumento médio de 2,1% nas tarifas dos consumidores de baixa tensão em 2027. A estimativa faz parte de um estudo elaborado pela Ampere Consultoria e pela TR Soluções, que também aponta que, considerando os efeitos das bandeiras tarifárias, o reajuste médio nas contas pode chegar a 4,5%.
As projeções indicam que o cenário climático pode levar ao acionamento das bandeiras vermelhas patamar 1 e patamar 2 entre julho e outubro de 2027, período em que os consumidores poderão sentir um impacto maior no valor das faturas de energia.
Fenômeno pode afetar reservatórios e geração hidrelétrica
Modelos climáticos analisados por instituições internacionais apontam uma alta possibilidade de formação de um episódio de El Niño durante a segunda metade de 2026. Algumas previsões indicam que o fenômeno pode alcançar intensidade forte ou até extrema, condição que costuma ser chamada de “super El Niño”.
Caso esse cenário se confirme, especialistas avaliam que o Brasil poderá enfrentar maior frequência de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, períodos prolongados de seca, incêndios e mudanças no padrão das chuvas.
Essas alterações podem afetar diretamente o setor elétrico, principalmente a geração de energia pelas usinas hidrelétricas, que dependem do volume de água armazenado nos reservatórios.
Para calcular os possíveis impactos nas tarifas, as consultorias analisaram dois cenários diferentes: um com a ocorrência de um super El Niño e outro sem a influência do fenômeno climático.
No cenário com o fenômeno, a projeção aponta que o período úmido entre 2026 e 2027 deve terminar com os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) operando próximos de 70% da capacidade de armazenamento em abril. Sem a atuação do El Niño, a estimativa é de aproximadamente 80%.
Bandeiras tarifárias podem elevar custos em 2027
Com a possibilidade de menor disponibilidade hídrica, o estudo prevê a ativação das bandeiras vermelhas nos quatro meses entre julho e outubro de 2027. O mecanismo é utilizado para repassar aos consumidores custos adicionais da geração de energia quando há necessidade de utilizar fontes mais caras, como as termelétricas.
De acordo com a análise, a Região Sul deve ser a mais afetada pelo cenário climático, apresentando uma diferença média de 3,3 pontos percentuais entre as projeções com e sem a influência do super El Niño.
As consultorias explicam que o impacto nas tarifas ocorre por meio de diferentes fatores incorporados ao sistema de bandeiras tarifárias, como o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), o risco hidrológico, os encargos do setor elétrico e os custos relacionados aos contratos de compra de energia das distribuidoras.
Com isso, a intensidade do fenômeno climático e seus efeitos sobre os reservatórios serão fatores determinantes para o comportamento das contas de luz nos próximos anos.