EUA é o passaporte brasileiro para entrada em novos mercados, dizem especialistas
Redação DM
Publicado em 30 de junho de 2015 às 03:55 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – A liberação do mercado americano para a carne brasileira terá um impacto muito mais político do que econômico nesse primeiro momento. Segundo analistas consultados, os Estados Unidos têm controle sanitário rígido e essa abertura faz com que o Brasil entre em um seleto grupo de países habilitados a exportar carne in natura para aquele país. Isso seria a porta de entrada das empresas brasileiras em outros mercados como o do Japão, México e Canadá, por exemplo.
— Essa medida é muito positiva para o Brasil. Não vejo no curto prazo um ganho econômico, isso acontecerá mais tarde. Mas, é importante ocupar o espaço no mercado americano. Além disso, o governo brasileiro pode usar isso como marketing em outros países, disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) —, José Augusto de Castro.
Até maio, as exportações brasileiras de carne in natura somaram US$ 1,68 bilhão ante US$ 2,25 bilhões apuradas no mesmo período do ano passado. Em volume, foram embarcadas 84,8 mil toneladas nos cinco meses de 2015. Em 2014, os embarques chegaram a 102,8 mil toneladas. Os EUA importaram no ano passado 957 mil toneladas.
— O Brasil recebe o atestado de que a carne é boa — , ressaltou Castro.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, com a abertura nos EUA para a carne brasileira, o país ganha qualificação técnica para negociar com mercados do Nafta, que usam as mesmas exigência dos Estados Unidos.
— O Brasil, mesmo sendo o maior exportador mundial de carne, não atende 40% do mercado mundial e são justamente os países que praticam os melhores preços. O mercado americano é o nosso passaporte para o Nafta e para o mundo —, disse Camardelli.
Segundo estimativas da Abiec, se as exportações brasileiras começarem já em agosto, até o final do ano os embarques para o mercado americano poderão somar 15 mil toneladas de carne in natura. Em valores, a soma poderá ser de US$ 75 milhões.
— Não se pode esperar que se tenha reflexo imediato, mas é uma notícia muito positiva para o Brasil. As empresas brasileiras terão de construir o mercado americano que é um dos melhores do mundo —, afirmou o analista da consultoria Safras&Mercados, Paulo Molinari.