Fábricas da Mabe em SP são ocupadas após falência
Redação DM
Publicado em 15 de fevereiro de 2016 às 06:15 | Atualizado há 10 anosSÃO PAULO – Cerca de 2 mil funcionários da fabricante de fogões e geladeiras Mabe ocuparam duas unidades da empresa nas cidades de Campinas e Hortolândia, interior de São Paulo. Na semana passada, a Justiça de São Paulo decretou a falência da companhia no Brasil. A Mabe é uma multinacional com sede no México. Desde dezembro passado, a empresa deixou de produzir peças das marcas Dako e Continental.
De acordo com nota do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, uma assembleia realizada nesta segunda decidiu pela ocupação das fábricas para garantir os direitos trabalhistas dos empregados depois da decretação da falência. Segundo o sindicato, os empregados estão sem receber salários de janeiro e fevereiro e o 13°, mesmo com seus contratos de trabalho ainda em vigor. Cerca de 400 empregados que foram demitidos entre 2015 e janeiro deste ano também não receberam as rescisões, segundo o sindicato.
“Os trabalhadores iniciaram um movimento de resistência nas portarias das fábricas para impedir qualquer tentativa de retirada de máquinas e equipamentos por parte da empresa”, diz nota do sindicato.
A empresa nomeada pela Justiça para administrar a massa falida da Mabe, a Capital Administradora Judicial, informou através de nota que já tem um plano para a criação de uma nova empresa com os equipamentos e fábricas que restaram da companhia. Segundo a nota, “no momento, os trabalhadores estão habilitados a receber o FGTS e seguro desemprego. A massa falida não tem receita suficiente para pagar as rescisões”, o que só será possível com a criação da nova companhia, diz a administradora, que garante também que há interesse em recontratar os funcionários para a nova empresa”.
A Mabe Brasil entrou com pedido de recuperação judicial em 2013 e o plano de reestruturação foi aceito pela Justiça. Em dezembro passado, no entanto, o administrador judicial que acompanhava o cumprimento do plano de reestruturação apresentou à Justiça pedido de falência da empresa após verificar que a proposta não estava sendo cumprida. A Mabe suspendeu suas atividades no dia 18 de dezembro e concedeu férias coletivas aos funcionários. A data de retorno prevista era o dia 18 de janeiro, mas isso não aconteceu, por intervenção do sindicato, já que os funcionários não haviam recebido salários.
A Mabe possui dívidas de R$ 19,2 milhões com serviços contratados e R$ 4,5 milhões com fornecedores de matérias-primas. Por telefone, um responsável pela segurança da Mabe informou que nâo há expediente desde dezembro e que a companhia está em recesso.