Economia

Falta de crédito afeta pequenos negócios, aponta pesquisa do Sebrae

Redação DM

Publicado em 4 de novembro de 2015 às 09:05 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Uma pesquisa do Sebrae antecipada ao GLOBO com exclusividade mostra que 30% das pequenas empresas não têm qualquer relação com os bancos comerciais na qualidade de pessoas jurídicas. Segundo o levantamento, que será divulgado nesta quarta-feira no Fórum de Cidadania Financeira pelo presidente da instituição, Guilherme Afif Domingos, esse cenário é uma das consequências da falta de crédito no Brasil, um dos maiores obstáculos para os micro e pequenos empresários e os empreendedores individuais (MEI).

“Quanto menor a empresa, mais distante ela está do sistema financeiro”, conclui a pesquisa.

Os juros, a burocracia e as exigências de garantia são as principais dificuldades enfrentadas pelos pequenos negócios ao pedir empréstimos aos bancos. A maior parte dos micro e pequenos empresários possui relacionamento com bancos por meio de conta corrente como pessoa física: 89% entre os pequenos; 84% dos micro. Nos MEI, a parcela é de 71%. Quando perguntados sobre o que seria melhor para facilitar o crédito, cerca de 50% dos entrevistados pediram a redução dos juros.

Obtenção de capital de giro, compra de mercadorias para revenda e de máquinas e equipamentos são os principais motivos que levam os pequenos empresários a pedir empréstimos em banco. Pra os pequenos, o capital de giro vem em primeiro lugar (64% dos entrevistados);,seguido por mercadorias (28%); e aquisição de máquina (31%).

A principal razão dos bancos para não conceder empréstimos para as pequenas empresas é a falta de linha de crédito para o perfil do empreendimento. A resposta foi dada na mesma proporção – 27% – para empresas de pequeno porte e MEI e para 17% das microempresas.

Na comparação entre os valores pedidos e o que foi efetivamente emprestado pelos bancos, os MEI perderam para as pequenas. Dos R$ 13 mil pedidos, em média, pelos microempreendedores individuais, somente R$ 9,6 mil (72%) são efetivamente emprestados. Esse percentual sobe para 87% para microempresas (R$ 36 mil pedidos e R$ 31,3 mil emprestados) e 92% para empresas de pequeno porte (R$ 56 mil solicitados contra R$ 51,5 mil depositados).

Ainda de acordo com o Sebrae, o número de microempreendedores individuais vem crescendo rapidamente. Com perfil heterogêneo, mas cada vez mais qualificado, a maior parte dos MEI deseja crescer e possui visão empresarial.

Segundo dados da pesquisa, os MEI atuam principalmente nas áreas de comércio (38%) e serviços (37%) e possuem entre 31 e 40 anos (33%). Concentrados na alta classe média (27%) e baixa classe alta (25%), eles também têm boa escolaridade: 20% possuem ensino superior completo ou mais; 42% ensino médio ou técnico completo e 38% até médio ou técnico incompleto. A maior parte deles (63%) buscou a formalização por considerá-la boa para seu negócio, e 77% dizem querer crescer e se tornar microempresa.

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