Economia

Fraude da Volks era um ‘segredo aberto’, diz jornal

Redação DM

Publicado em 23 de janeiro de 2016 às 08:50 | Atualizado há 10 anos

FRANKFURT — O software usado pela montadora alemã Volkswagen para manipular o teor de poluentes do diesel era uma espécie de “segredo aberto” do departamento de desenvolvedores de montores, disse o jornal alemão “Sueddeutsche Zeitung”, citando os resultados da investigação interna que vêm sendo conduzido pela montadora. Segundo o jornal, muitos funcionários do departamento sabiam ou estiveram envolvidos no desenvolvimento do software.

A informação pode aumentar ainda mais a crise na companhia, já que a Volks vinha dizendo que apenas um pequeno circulo de pessoas sabiam da manipulação. Enquanto isso, a Volkswagen cortou em € 1 bilhão seu plano de investimentos em 2016. A montadora vai reduzir para cerca de € 12 bilhões os investimentos em fábricas e equipamentos, frente à previsão anterior de algo em torno de € 13 bilhões. Analistas têm dito que os escândalos podem custar à companhia € 40 bilhões ou mais em multas, processos e adaptação de veículos.

O jornal, que cita a cultura “do siglo” na companhia, vem causando a maior crise corporativa da história da companhia. Segundo o diário, a manipulação começou a ocorrer em novembro de 2006 na sede da companhia em Wolfsburg, destacou o jornal. O “Sueddeutsche Zeitung” cita o depoimento de um funcionário: “Em vez de alertar ao Conselho de Administração, decidiu-se cometer a fraude”, disse o jornal na edição deste sábado. Segundo o jornal, o relatório lembra ainda que os reguladores não poderiam detectar o problema usando técnicas convencionais de análise da emissão de poluentes. A Volks não quis comentar o teor da reportagem.

Para lidar com a crise, a Volkswagen disse em meados deste mês de janeiro que vai propor a autoridades americanas um novo sistema de conversor catalítico que pode ser instalado em cerca de 430 mil carros capazes de fraudar testes de emissão de diesel.

— Temos um (conversor catalítico) no forno e acreditamos que ele será uma parte das soluções técnicas —disse o presidente executivo da empresa, Mathias Mueller, na feira do setor em Detroit.

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