Economia

Fuga de recursos da poupança chama atenção para outros investimentos

Redação DM

Publicado em 29 de janeiro de 2016 às 20:53 | Atualizado há 1 ano

Especialistas tratam sobre formas de aplicações mais rentáveis que a poupança e de baixo risco

A tradicional caderneta de poupança completou neste mês de janeiro 155 anos de existência no Brasil e apesar de ser ainda muito popular no país, tem vivido uma crise sem precedentes em sua história. Dados do Banco Central (BC) demonstram que 2015 foi o pior ano da aplicação em duas décadas, isso porque os seus saques superaram os depósitos em R$53,567 bilhões. Foi a maior retirada líquida da série histórica da instituição, iniciada em 1995.

Tudo isso demonstra que essa aplicação financeira vive atualmente uma crise sem precedentes. Em 2015, saques superaram os depósitos em R$53,567 bilhões e com alta da Selic uma série de investimentos ficaram mais interessantes. Mas se você quer aprender a investir em outros tipos de aplicações financeiras é bom buscar informações.

Para os especialista em mercado financeiro e sócios da Centro Norte Investimentos, Leandro Maia e Paulo Fenelon, em 2016, assim como ocorreu em 2015, aplicar dinheiro na poupança continuará sendo um péssimo negócio. “Há um bom tempo a poupança não pode ser chamada de um investimento, mas sim de um desinvestimento. Isso porque, com rendimento médio ao redor de 8,0% a.a contra uma inflação que hoje já ultrapassa a casa dos 10%a.a, a poupança não assegura o poder de compra dinheiro aplicado, e ao invés de rendimento dá um prejuízo”, explica Leandro.

Sendo assim crescem os olhares de muita gente a outros investimentos que têm se mostrados bem mais rentáveis que a Poupança e tão seguro quanto, como por exemplo os CDBs, títulos do Tesouro Direto, LCIs e LCAs, ações na bolsa.

 

Orientação e cautela

Conforme Paulo Fenelon, as mudanças no cenário econômico do País têm feito com que o brasileiro volte a atenção para outros tipos de investimentos, que têm ficado cada vez mais populares, dentro de um processo natural de “Desbancarização dos Investimentos”. Diante de um cenário de incertezas na economia, como o atual, a necessidade busca de informação é ainda mais importante para quem quer investir. “As pessoas estão buscando mais informações sobre mercado de ações, e o que são e como funcionam produtos financeiros como CDBs, LCAs e LCIs”, esclarece Paulo Fenelon Abrão.

Mesmo quem já possui familiaridade com operações do mercado financeiro não dispensa orientação na hora de investir. É o caso do economista Américo José dos Santos, 54 anos, cliente da Centro Norte Investimentos. “Já tem sete anos que invisto regularmente no mercado financeiro. Acho, inclusive, que esse é um período mínimo que a pessoa tem para entender os ciclos de altos e baixos do mercado financeiro e da economia”, diz Américo.

Já com experiência em operações financeiras, Américo José dá duas dicas importantes: buscar sempre orientação e procurar investir dentro de uma meta a ser alcançada. “Se você está pensando em investir em algum tipo de aplicação financeira é bom você sempre ter um objetivo futuro em mente. Seja comprar um carro, uma casa, fazer uma grande viagem ou mesmo buscar a segurança de uma futura aposentadoria. Estabeleça sua meta e saiba que a aplicação financeira correta irá ajudar você a conquistar essa meta. Para isso busque sempre uma boa orientação. Mesmo quem tem alguma familiaridade com o mercado financeiro não deve abrir mão de se aprimorar e buscar informações sempre”, aconselha.

Aprendendo em casa

Para a bacharel em Direito, Nicole Fleury, de 26 anos, poupar dinheiro sempre foi algo aprendido dentro de casa. “Eu tenho poupança desde os 10 anos de idade, aprendi com os meus pais o hábito de pensar no futuro”, conta a jovem que participou de curso oferecido pela Centro Norte Investimentos no ano passado sobre como e onde investir melhor seu dinheiro.

Nicole lembra que sempre que possível recebia dinheiro dos pais e colocava na poupança.  “Ganhava dinheiro nos aniversários, se fosse ao dentista e estivesse tudo nos conformes também ganhava. Então eu ia guardando lá na poupança. Com isso comecei a administrar o meu dinheiro com 17 anos, quando comecei a fazer estágio”, diz.

Ela conta que aos poucos foi percebendo que não estava obtendo os rendimentos desejados na poupança. “Há dois anos comecei a me interessar por outros tipos de investimentos. Então, fui me informar nas rádios e TVs. Foi quando conheci a Centro Norte”. Segundo a jovem bacharel em direito, uma das grandes ajudas que conseguiu com o curso foi sanar aqueles receios que muita gente tem nessas operações do mercado financeiro.  “Acho que o medo é até natural no começo. Entretanto, fui aos poucos percebendo que tomei a decisão certa, ganhei confiança na corretora e vi que o dinheiro rende mais se soubermos administrá-lo e onde investi-lo”, explica. Atualmente, entre os investimentos da jovem estão as LCAs e LCIs, além de CDBs.

Um pouco de história

A caderneta de poupança completa este mês 155 anos de existência no brasil – ela foi criada pouco depois da Caixa Econômica Federal, em 1861, na época do imperador Dom Pedro II. O objetivo era receber “as pequenas economias das classes menos abastadas”, e assegurar “sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte, quando este o reclamar”, dizia na época o contrato de quem tinha uma caderneta de poupança.

Opções existem mesmo diante de incertezas

Para a grande maioria dos analistas financeiros, se 2015 foi um ano de crise, 2016 já começa marcado pela incerteza do atual cenário econômico do País. Isso quer dizer que as crises na economia e política do Brasil continuam, só resta saber quais e quão graves serão os sintomas dessas “doenças” que precisam urgentemente ser tratadas. “Há muitas incertezas no ambiente político e isto está refletindo bastante no cenário econômico.

Durante o ano de 2015 o governo tentou fazer ajustes que, para o mercado, foram muito abaixo das expectativas, com isso perdemos o grau de investimento das agencias classificadoras de risco, o que obrigou a saída de recursos financeiros, dificultando os investimentos na classe produtiva. No curto prazo isso gera o fechamento de várias empresas e por consequência, desemprego. A dívida dessa herança ruim de 2015 vai ser cobrada no ano de 2016. Será necessário um ajuste fiscal mais eficiente para reorganizar a macroeconomia”, avalia Zeina Latif, Economista Chefe da XP Investimentos, maior corretora independente de valores do País.

Mas mesmo em um cenário, que está longe de ser o perfeito, Paulo Fenelon Abrão destaca que ainda sim existem boas oportunidades a serem aproveitadas. Segundo ele, com uma previsão de que os juros continuem altos para este ano, uma boa dica são os fundos DI, que investem no mínimo 95% do patrimônio em títulos de renda fixa e outras aplicações que acompanham a variação da Selic (taxa básica de juros). Exemplos: as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), oferecidas pelo Tesouro Direto. “Outras boas opções são as rendas fixas como CDB´s(pré-fixados), que em alguns casos estão remunerando o capital em até 18% ao ano, e as LCI´s, LCA´s, que têm ainda a vantagem da isenção do IR [Imposto de Renda]”, acrescenta Paulo.

O especialista destaca, inclusive, que em 2016 há boas opções até mesmo para os investidores mais arrojados que podem, por exemplo, aproveitar esse momento complicado da economia chinesa.  “Para um investidor mais arrojado, sugiro as ações relacionadas à mineração e siderurgia, que foram muito afetadas com a desaceleração das economias chinesa e brasileira, e com uma retomada do ciclo produtivo no médio e longo prazo, essas ações sofrerão um impacto positivo em seus preços”, aconselha o especialista da Centro Norte Investimentos.

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