Economia

Fundos FGTS-Petrobras já rendem menos que o Fundo de Garantia

Redação DM

Publicado em 21 de janeiro de 2016 às 04:15 | Atualizado há 10 anos

SÃO PAULO – A desvalorização das ações da Petrobras, amplificada recentemente pela queda do preço do petróleo no mercado internacional e pelas investigações de desvio de recursos da estatal na Operação Lava Jato, está fazendo os chamados fundos mútuos de privatização com papéis da petrolífera renderem menos que o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), considerado a pior aplicação do mercado financeiro. Levantamento da Economática, empresa de informações financeiras, mostra que o rendimento dos fundos FGTS-Petrobras, desde sua criação em agosto do ano 2000 até o último dia 20 de janeiro, foi de 91,48%, sem descontar a inflação. No mesmo período, o rendimento do FGTS, que paga Taxa Referencial mais 3% ao ano, foi de 110,68%.

– Atualmente a rentabilidade do FGTS é maior do que nos fundos FGTS-Petrobras, quando se olha o longo prazo – diz Einar Rivero, gerente de relacionamento institucional da Economática e autor do levantamento.

Para comparação, no mesmo período, a poupança rendeu 227,15%, enquanto o CDI, taxa de juros que serve de referência para aplicações em renda fixa ofereceu um retorno de 623,80%, também sem descontar a inflação.

Quando o governo vendeu as ações da petrolífera, mais de 15 anos atrás, 310 mil pessoas aplicaram até 50% do que tinham no FGTS nesses fundos. Era, segundo os especialistas em finanças, uma maneira de obter um retorno mais generoso do que o oferecido pelo FGTS, que perde até mesmo da inflação. Até 2008 a Bolsa teve um ótimo desempenho e os investidores que sacaram os recursos desses fundos tiveram um retorno muito positivo. De acordo com dados da Economática, até o dia 21 de maio de 2008 a rentabilidade acumulada desde dos fundos FGTS-Petrobras foi de 1.677,6%. Quem sacou neste período, se deu bem.

Naquele ano, a crise internacional que teve origem no sistema bancários dos Estados Unidos, afetou os mercados acionários de todo o mundo. Investidores saíram das chamadas aplicações de risco e migraram para a segurança do dólar. Na Bolsa brasileira não foi diferente e as ações mais negociadas, como a da Petrobras, perderam valor. De lá até agora, os papéis da petrolífera brasileira só se desvalorizaram. Os escândalos envolvendo a estatal e a recente queda no preço do petróleo ampliaram as perdas da estatal na Bolsa.

De acordo com a Economática, em 2008, a Petrobras tinha valor de mercado de R$ 510 bilhões. Em janeiro deste ano, o valor da companhia havia caído para R$ 73 bilhões. Esse encolhimento de R$ 437 bilhões se refletiu também no valor das ações nas mãos dos investidores.

– Aplicar em ações implica risco de Bolsa e, no caso específico da Petrobras, há também o chamado risco da empresa. O petróleo se desvalorizou no mundo, é verdade, mas a Petrobras teve um problema de má gestão e ingerência política, já que o governo é o principal acionista. Tudo isso se refletiu negativamente no preço das ações – diz Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, lembrando que os fundos FGTS-Vale, que também permitiram a aplicação de recursos do FGTS nas ações da mineradora não tiveram o mesmo desempenho ruim.

De acordo com levantamento da Economática, desde que foram criados os fundos FGTS-Vale, em março de 2002, que também permitiram o uso dos recursos do FGTS, renderam 178,99% até o úlltimo dia 20 de janeiro frente aos 93,38% oferecidos pelo FGTS no mesmo período, também sem descontar a inflação desse período.

– As condições macroeconômicas foram as mesmas para Vale e Petrobras, e amabnas foram afetadas pela queda no preço das matérias-primas. Mas Petrobras teve o fator gestão como diferencial – diz Calil.

Mais de 80% dos investidores que haviam usado o FGTS para comprar ações da Petrobras já tinham sacado seus recursos até 2015. Para quem ainda tem dinheiro aplicado nestes fundos, Mauro Calil recomenda que se o investidor ainda vai levar entre 5 e 10 anos para se aposentar, pode deixar os recursos aplicados no fundo.Neste prazo, há alguma chance dos papeís se recuperarem.

– Mas quem vai se aposentar em três anos ou menos já deveria ter sacado os recursos há muito tempo – afirma.

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