Gastos de brasileiros no exterior batem recorde no 1º trimestre e somam US$ 6 bilhões
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 24 de abril de 2026 às 15:10 | Atualizado há 2 meses
Queda do dólar favorece viagens e impulsiona gastos de brasileiros no exterior | Foto: Reuters/Jana Rodenbusch
Os gastos de brasileiros no exterior alcançaram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central ( BC) nesta sexta-feira (24). O valor representa um avanço de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as despesas somaram US$ 4,96 bilhões. Trata-se ainda do maior montante já registrado para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica, em 1995.
Somente em março, os brasileiros desembolsaram US$ 1,99 bilhão fora do país, estabelecendo um novo recorde para o mês. O desempenho ocorre em um cenário de valorização do real frente ao dólar ao longo do ano, o que reduz o custo de viagens internacionais e incentiva o consumo no exterior.
A queda acumulada da moeda norte-americana em 2026, apesar de oscilações pontuais, como a alta de 0,58% registrada na última quinta-feira (23), quando o dólar fechou a R$ 5, tem impacto direto nas despesas com passagens aéreas, hospedagens, compras e serviços fora do Brasil. Como esses itens são, em grande parte, cotados em moeda estrangeira, a desvalorização do dólar tende a ampliar o poder de compra dos brasileiros no exterior.
A movimentação cambial está inserida em um contexto internacional marcado por tensões no Oriente Médio. Nesse cenário, o Brasil tem sido visto pelo mercado como relativamente favorecido por sua condição de exportador de petróleo, o que contribui para a entrada de dólares no país e, consequentemente, para a valorização da moeda nacional.
Outro fator que influencia o aumento dos gastos externos é o desempenho da economia brasileira. Mesmo com sinais de desaceleração, a atividade econômica continua em expansão, o que estimula o consumo e, por consequência, eleva as despesas internacionais.
Déficit externo recua no trimestre
Apesar da alta nos gastos de brasileiros fora do país, o déficit das contas externas apresentou queda no primeiro trimestre. Segundo o Banco Central, o saldo negativo recuou 10,76% na comparação anual, passando de US$ 22,71 bilhões para US$ 20,27 bilhões.
O resultado das transações correntes, que reúne a balança comercial, os serviços e as rendas enviadas ao exterior, como juros, lucros e dividendos, é um dos principais indicadores do setor externo. O déficit ocorre quando as despesas superam as receitas nessas operações.
De acordo com o BC, há uma relação direta entre o nível de atividade econômica e o comportamento das contas externas. Em períodos de crescimento, o país tende a importar mais bens e serviços, ampliando o déficit. Já em momentos de desaceleração, a tendência é de redução desse saldo negativo.
Investimento estrangeiro registra leve queda
Os dados divulgados também apontam para uma diminuição nos investimentos estrangeiros diretos no Brasil. Entre janeiro e março de 2026, o país recebeu US$ 21,03 bilhões, abaixo dos US$ 23,04 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Apesar da retração, o volume foi suficiente para cobrir o déficit em transações correntes no início do ano, mantendo o equilíbrio das contas externas no período analisado.