Economia

Geradoras já negociam para financiar outorga de leilão de usinas velhas

Redação DM

Publicado em 26 de novembro de 2015 às 03:30 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Geradoras de energia que venceram o leilão de usinas hidrelétricas antigas na quarta-feira já estão formalizando contratos com grupos de bancos estatais e privados nacionais para financiar parte do valor em outorgas pagas, que foi definido em R$ 17 bilhões no total.

O presidente da Cemig, Mauro Borges, disse nesta quinta-feira que um grupo formado por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa deverá financiar 100% do valor de R$ 2,2 bilhões de outorgas referente às 18 usinas que a empresa adquiriu no leilão. Cada banco ficará com cerca de um terço do total financiado, segundo ele.

O presidente da Copel, Luiz Fernando Vianna, disse que BB, Votorantim e Itaú financiarão boa parte da outorga da usina de Governador Parigot, de R$ 575 milhões, mas a companhia pode usar também recursos próprios para compor esse pagamento.

Mas ele destacou que a empresa, que já operava a usina, buscará o direito de receber uma indenização por ativos não amortizados de cerca de R$ 40 milhões, que, eventualmente, poderão ser usados para pagar o bônus.

— E não descartamos o uso de recursos em caixa — disse Vianna.

As duas empresas, Cemig e Light, terão um empréstimo-ponte inicial junto aos bancos, que deverá se transformar em um financiamento de longo prazo quando o mercado financeiro oferecer condições melhores.

— A gente acredita que, no ano que vem, as condições financeiras serão mais favoráveis. Daí até a conveniência por parte dos bancos e das empresas de ter um empréstimo-ponte para a gente pensar na estruturação de longo prazo com uma conjuntura mais favorável — disse Borges, da Cemig.

A mesma expectativa foi apontada por Vianna, de que as condições do mercado financeiro, principalmente as taxas de juros, estejam mais favoráveis em 2016.

Os grupos que financiaram as empresas foram lideradas pelo BB. Ontem, o banco divulgou nota informando que estava “discutindo o financiamento com todas as empresas vencedoras que o procuraram”.

A expectativa de executivos presentes nesta quarta-feira no evento de comemoração de 40 anos da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), em Brasília, era de que pelo menos os chineses da Três Gargantas não irão procurar bancos brasileiros para financiar o bônus de R$ 13,8 bilhões que deverão pagar. A avaliação corrente é de que, pelas condições de câmbio e taxa de juros atuais, seja mais vantagem para a empresa trazer esse dinheiro de fora.

Para Borges, da Cemig, o leilão não teve mais competição, principalmente por conta das condições financeiras do setor elétrico neste momento. Nos maiores lotes à venda, por exemplo, só houve um concorrente. Os agentes do setor enfrentam, atualmente, uma crise financeira, com déficits bilionários já financiados com bancos nacionais.

— Em um outro momento, eu tenho certeza que a atratividade do leilão seria muito maior.

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