Economia

Goiânia sediará, no próximo ano, o 14º Enfisa

Redação DM

Publicado em 17 de julho de 2015 às 00:19 | Atualizado há 11 anos

 

O agronegócio é considerado o motor da economia de Goiás, visto que o setor representa 28% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e pouco menos de um quarto do PIB nacional. Sendo assim, para que o agronegócio goiano continue a crescer, investir em novas tecnologias, aumentar a fiscalização e conhecer o que outras regiões têm feito é de suma importância para acelerar o desenvolvimento do setor. Uma das áreas essenciais para tal crescimento é controle de pragas e o uso de agrotóxicos, ou seja, a sanidade vegetal das lavouras goianienses. O impacto econômico que pragas trazem ao agronegócio brasileiro já causou prejuízo de 25 bilhões de dólares aos produtores de soja nos últimos dez anos, por essa razão, agregar conhecimento em pesquisa e extensão representa investimento para o setor.

Com o intuito de discutir esse aspecto do agronegócio, em 2016, de 6 a 10 de junho, Goiânia receberá a 14ª edição do Encontro de Fiscalização e Seminário sobre Agrotóxicos (Enfisa), que tem o intuito de promover ações pela harmonização de procedimentos de fiscalização de comércio e uso de agrotóxicos e contribuir para um nivelamento dos serviços estaduais de fiscalização através da identificação de iniciativas bem sucedidas. Esta semana, nos dias 14 e 15 de julho, representantes da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) se reuniram com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins, e com entidades que representam fabricantes de defensivos agrícolas e empresas de setores envolvidos, para discutir os preparativos do evento na Capital.

Considerado o maior fórum brasileiro sobre agrotóxicos, o Enfisa acontecerá pela primeira vez, após 13 anos, em Goiás, já tendo percorrido todos os estados brasileiros. Para o presidente da Agrodefesa, Arthur Eduardo Alves de Toledo, essas primeiras reuniões serviram para que as entidades envolvidas na realização do evento se conheçam e, cada uma, possa trazer da sua experiência pontos importantes para serem discutidos e colocados em prática na melhoria contínua da agricultura brasileira, em especial sobre a questão do comércio e a fiscalização dos agrotóxicos. Em entrevista ao Diário da Manhã, Arthur destacou a importância de discutir novas tecnologias e formas de aplicação no setor e como a defesa sanitária está inserida na cadeia produtiva do agronegócio. ” Ela (defesa sanitária) se aplica no contexto da saúde de plantas e de animais, o que reflete na saúde humana, do meio ambiente e, consequentemente, na saúde financeira do Estado. A defesa vegetal trabalha com a segurança alimentar e a inocuidade dos alimentos, com incentivo na proteção de plantas e animais”, explica.

 

Defesa Sanitária Vegetal

O serviço de defesa sanitária vegetal em Goiás é constituído pelo conjunto de práticas destinadas a prevenir e impedir a entrada de novas pragas e a controlar ou erradicar pragas presentes no Estado capazes de provocar danos econômicos às lavouras e pomares, especialmente as que detêm importância econômica e social. Conforme o presidente da Agrodefesa – que é Engenheiro Agrônomo –, o seminário será uma excelente oportunidade para que Goiás discuta ainda mais sobre as ameaças fitossanitárias e como empreendedores rurais, empresas agrícolas, governo e a própria população se envolva no assunto e busquem maneiras de combater as novas pragas que surgem todos os dias. “Já estamos atentos à questão da biotecnologia e ao uso da química na agricultura. Temos que proteger o Estado da entrada dessas pragas e esse trabalho deve ser realizado em conjunto”, ressalta.

Para o coordenador do programa de fiscalizações de agrotóxicos da Agrodefesa, Rodrigo Baiocchi, o Enfisa busca reunir os órgãos de defesa vegetal para a discussão de novidades, dificuldades e possibilidades de melhoria no assunto fiscalização de agrotóxicos. “É possível chegar a conclusões de qual a eficiência do trabalho de fiscalização no Estado e o que pode ser feito para melhorar o uso, comércio e fiscalização de agrotóxicos no Brasil”, destaca. No último congresso, Rodrigo ressalta que algumas medidas discutidas já serão colocadas em prática, como o sistema informatizado para controle de notas fiscais, receituário agronômico e o controle da devolução das embalagens. “O sistema irá aumentar muito a eficiência da fiscalização em Goiás”, afirma.

 

Enfisa

Um dos objetivos do Enfisa, de acordo Arthur Toledo, é fortalecer as boas práticas agrícolas e industriais. A expectativa é que o evento reúna, em Goiânia, o dobro de pessoas que compareceram na última edição, realizada este ano na Bahia e teve público em torno de 350 participantes. Para Arthur, por Goiás estar no centro do País e o agronegócio ter uma grande representatividade no Estado, visto ser uma área de muito interesse para empresário e do próprio governo federal, o evento deverá ser recorde de público e as práticas utilizadas no Estado poderão ser referências para outros Estados.

“Nós avançamos muito, tanto na área animal quanto na área vegetal, mas temos ainda um caminho a trilhar. O mercado precisa conquistar mais, a produtividade e a rentabilidade dos empreendedores precisam ser melhoradas, já que as divisas e receitas do Estado dependem muito da cadeia do agronegócio. Estamos trabalhando com muita técnica, protocolos e cuidado, para aumentar a segurança alimentar em Goiás e, os resultados do Encontro são muito interessantes para isso”, pontua Arthur.

O gerente de fiscalização vegetal da Agrodefesa, Márcio Antônio de Oliveira e Silva, acredita que as discussões geradas no Enfisa impactam diretamente o agronegócio brasileiro e, com as melhorias propostas para o setor agropecuário, “assegura o PIB do Estado”, além de destacar ações de fiscalização desde o uso e o descarte corretos dos agrotóxicos em lavouras e pomares. “O uso adequado e seguro reflete na qualidade dos alimentos e, consequentemente, garante a saúde da população”, ressalta Márcio.

 

Impacto das pragas para a economia no Brasil

Os impactos econômicos da entrada de novas pragas no Brasil se refletem por toda a cadeia do agronegócio, visto que há impactos sobre o recolhimento de impostos, sobre o pagamento de salários e sobre a produtividade, além de impactos sociais, uma vez que pode ocorrer a migração de trabalhadores para outras regiões; impactos ambientais, com a contaminação do solo e da água e alteração de orçamento ou necessidade de recursos emergenciais.

No entanto, este não é um problema que assusta apenas no Brasil. Com o aumento do comércio mundial de alimentos, os países ficaram mais vulneráveis à introdução de espécies exóticas, que podem comprometer as plantações locais devido à falta de predadores naturais. Estima-se que, no mundo, as perdas da agricultura devido aos ataques de pragas cheguem a impressionantes 1,4 trilhão de dólares, ou quase 5% do PIB mundial.

Por ser o trânsito de vegetais uma importante forma de veiculação e disseminação de pragas, a fiscalização é uma das práticas desenvolvidas pela defesa sanitária vegetal. Desta forma, a defesa sanitária vegetal é um dos elementos que auxilia o combate de pragas de lavouras e pomares brasileiros e, em Goiás, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) é o órgão responsável por realizar essa fiscalização e propor melhorias aos empreendedores rurais e empresas de defensivos agrícolas, trabalhando em conjunto com as entidades.

As atividades de fiscalização do trânsito de vegetais, intra e interestadual, desenvolvidas pela Agrodefesa têm como objetivo impedir a entrada e/ou a disseminação de pragas que constituam ou possam constituir ameaças à agricultura, garantindo a sanidade e a qualidade dos produtos vegetais oriundos do estado de Goiás, bem como fiscalizando e assegurando que os produtos de origem vegetal oriundos de outros estados e destinados ao estado de Goiás estejam em conformidade com as normas e padrões vigentes.

Estudos recentes apontam uma perda média anual de até 7,7% da produção agrícola brasileira, ou o equivalente a 25 milhões de toneladas, devido ao ataque de moscas, lagartas e outras doenças que atacam as plantas. As perdas do agronegócio brasileiro podem chegar a R$ 55 bilhões ao ano. Para combate às pragas, nos últimos 20 anos, foram desenvolvidos 195 novos produtos de proteção (defensivos) e 68 sementes geneticamente modificadas foram lançadas no mercado mundial, o que representa um alto custo de produção. (B.M)

 

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