Economia

Google testa serviço de publicações instantâneas para competir com Facebook

Redação DM

Publicado em 7 de outubro de 2015 às 02:12 | Atualizado há 11 anos

NOVA YORK – O Google anunciou nesta quarta-feira o seu programa-piloto “Accelerated Mobile Pages” (AMP, na sigla em inglês, ou Páginas Móveis Aceleradas em tradução livre) que permite a busca de notícias de forma mais rápida, eliminando muitos dos fatores que retardam o carregamento de páginas da web móvel e consomem a bateria de smartphones, como anúncios excessivos. Ao contrário de projetos editoriais do Facebook, o Instant Articles, e da Apple, o Apple News, a iniciativa não vai gerar receita, diretamente, para o Google — não haverá um percentual publicitário repassado por empresas de mídia quando leitores utilizarem o novo formato.

— Este é um ambiente sem negócios. Não há relações comerciais aqui — afirmou Richard Gringras, chefe do Google News. — Este projeto é sobre garantir que a Rede Mundial de Computadores não se torne a Rede Mundial da Espera.

Grande parte do código Javascript utilizado, normalmente, em páginas da web está ausente. Se o sistema funcionar, os usuários devem ter como resultado páginas mais leves e rápidas da web móvel, e consumindo menos bateria dos celulares. Jonathan Abrams, presidente do Nuzzel, um aplicativo de notícias que vai começar a usar o formato, disse que sites que usam o AMP conseguem carregar o conteúdo em meio segundo em seu aplicativo, contra uma média de três segundos.

As empresas de mídia que aderirem poderão continuar a explorar as mesmas redes de anúncios do Gloogle como antes, mas não serão capazes de exibir alguns tipos de anúncios, incluindo pop-ups e imagens que se movem quando usuários rolam uma página para baixo. Assim, os criadores da plataforma acreditam que podem desencorajar o uso de plug-ins para bloqueio de anúncios em celulares — uma ameaça para publicitários que têm migrado as verbas cada vez mais para plataformas on-line.

O sistema ainda está em pré-visualização técnica, mas o anúncio vem na esteira de uma série de grandes programas de conteúdo de hospedagem externa. Facebook introduziu o Instant Articles em maio, permitindo que empresas de mídia enviem conteúdo diretamente para o Facebook em troca de carregamento mais rápido e publicidade mais simples. A Apple usou abordagem semelhante com o Apple News, apresentado em junho.

Ainda assim, a iniciativa do Google é mais aberta do que os produtos dos concorrentes. O sistema permite que as empresas adaptem a plataforma conforme o necessário. Também é possível selecionar preferências em um conjunto de ferramentas para criar um portal de notícias mais personalizado.

O Google, cuja controladora agora se chama Alphabet, está atualmente testando o programa, mas executivos recusaram-se a dizer quando estará disponível para uso público. Twitter, LinkedIn, Pinterest e WordPress já disseram que pretendem fazer uso da tecnologia. “New York Times”, “The Guardian”, Conde Nast, The Huffington Post, Vox.com, Buzzfeed e La Stampa estão entre outras companhias de mídia que estão participando do projeto-piloto.

— Os usuários não estão gastando horas escolhendo entre sites com base em sua velocidade. Eles punem cada um de nós pelos pecados de todo o ecossistema — afirmou Tony Danker, diretor de estratégia do “Guardian”.

O produto estará disponível inicialmente para as empresas de notícias, mas o Google está aberto a oferecê-lo a outros tipos de provedores de conteúdo, disse Gringas.

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