Economia

Governo argentino só deve anunciar medidas econômicas em março de 2016

Redação DM

Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 03:06 | Atualizado há 11 anos

BUENOS AIRES – A nova equipe econômica argentina só deve anunciar um pacote de medidas depois de 1º de março, quando serão retomadas as atividades legislativas, e já está preparada para enfrentar uma negociação dura com os chamados “fundos abutres”, que brigam contra o país nos tribunais de Nova York. Segundo o novo ministro da Fazenda, Alfonso Prat Gay, esse é um dos grandes desafios do presidente Mauricio Macri para tirar o país da situação de calote da dívida pública.

Pouco depois do juramento de Macri no Parlamento, o novo ministro conversou rapidamente com um pequeno grupo de jornalistas e confirmou ter enviado o secretário de Finanças, Luis Caputo, aos Estados Unidos, para “colocar-nos à disposição para dialogar”.

— Simplesmente fomos dizer “aqui estamos”. Fazia tempo que o mediador (Daniel Pollack) não tinha nenhuma notícia de nenhum funcionário (argentino) e simplesmente nos colocamos à disposição para dialogar — afirmou Prat Gay, que foi presidente do Banco Central no governo Néstor Kirchner (2003-2007) e deputado pelo partido Coalizão Cívica.

Perguntado sobre a possibilidade de alcançar um acordo com os fundos abutres, o ministro admitiu que “temos uma negociação dura pela frente”:

— A maneira de encará-la é sentando para dialogar e não se fazendo de distraído — declarou Prat Gay, que, apesar das dificuldades, mostrou-se otimista sobre um eventual entendimento com os credores que não participaram das operações de reestruturação da dívida argentina realizadas em 2005 e 2010.

O encontro entre Pollack e Caputo fora confirmado pelo próprio mediador, que definiu a conversa como “introdutória”:

“Nenhuma negociação substancial para resolver o litígio da dívida aconteceu em nenhum dos encontros”, disse Pollack, em seu comunicado.

O governo Kirchner sempre deixou claro que não estava disposto a negociar com os fundos abutres e sua oferta limitou-se a reavrir as operações de 2005 e 2010, nas mesmas condições aceitas pelos credores que sim participaram de ambas trocas. Não está claro qual será a estratégia de Macri, mas o novo presidente se dispôs a negociar com os abutres, algo que Cristina Kirchner e seu governo jamais admitiram.

Alcançar um acordo com também chamados “holdouts” é condição para que a Argentina recupere o acesso aos mercados internacionais. Com as reservas do Banco Central em baixa, o governo Macri tem como prioridade voltar aos mercados para obter créditos considerados essenciais para enfrentar a escassez de dólares que assola o país.

sine qua non

Dados oficiais indicam que as reservas atingem em torno de US$ 25 bilhões, mas o próprio presidente disse, durante toda a campanha, que esperava encontrar um “BC vazio”. Na última quarta-feira, renunciou à presidente da instituição o kirchnerista Alejandro Vanoli, deixando o caminho livre para que o novo chefe de Estado designe o economista Federico Sturzenegger no cargo.

A disputa entre a Argentina e os fundos abutres provocou o estremecimento das relações entre o governo americano e Cristina Kirchner, já que a ex-presidente esperava um respaldo de Barack Obama que nunca chegou. Em 2012, o juiz Thomas Griesa, responsável pelo caso, condenou a Argentina a pagar US$ 1,6 bilhão em dinheiro, em única parcela, aos fundos NML Capital e Aurelius, que não aceitaram.

O governo Kirchener não cumpriu a ordem judicial, o que levou Griesa a reter US$ 539 milhões que haviam sido depositados no banco BNY Mellon para pagar credores que haviam concordado com os termos da renegociação da moratória. Com isso, a Argentina entrou em calote técnico, já que queria pagar a dívida a seus credores reestruturados, mas não podia por decisão de Griesa.

Em outubro passado, a situação do país piorou ainda mais quando o juiz americano aceitou 49 ações relativas a títulos da dívida argentina, somando um total US$ 6,1 bilhões.

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