Economia

Grécia abre bancos para pagar aposentados e dá acesso gratuito a transporte público

Redação DM

Publicado em 29 de junho de 2015 às 05:30 | Atualizado há 11 anos

ATENAS – O governo grego anunciou algumas medidas para aliviar a situação da população em decorrência do fechamento dos bancos e do controle de capitais anunciado no domingo, devido ao impasse nas negociações com os credores internacionais para um novo resgate do país. Algumas agências bancárias abrirão para que os aposentados que não têm cartão possam sacar seus pagamentos e os transportes públicos, cujo custo é de € 1,20, serão gratuitos até a próxima terça-feira.

Uma grande fila de aposentados esperava desde as 8h em frente à sede do Banco Nacional da Grécia, a principal entidade comercial do país. Esperavam para saber quais agências de bancos abririam suas portas no primeiro dia do feriado bancário apenas para pagar os aposentados, já que muitos não têm cartão de débito e não têm como fazer saque nos caixas eletrônicos na semana em que as instituições financeiras ficarão fechadas.

— Disseram que abririam ao meio-dia algumas agências em Atenas e nas principais cidades da Grécia, mas não há nada certo — afirmou Panayotis, que resiste a dizer o quanto ganha de pensão. — São € 1.500. Mas é a soma de três pensões do governo. Antes das reformas, ganhava € 3 mil. Obviamente, minha situação não é desesperadora como a de outros conhecidos.

— Pânico? — questiona-se retoricamente Yorgos, outro aposentado, que prefere não dizer o quanto ganha. — Pânico foi a guerra civil, quando a gente ia dormir não sabia se ia estar vivo no dia seguinte. Esta é outra guerra, mas econômica. Vamos enfrentar com calma, não há outra opção.

Fora a fila na porta do banco, nas ruas, a normalidade impera: os supermercados abriram como um dia qualquer, os postos de gasolina registraram uma atividade menor do que no domingo — as autoridades garantiram que há combustível suficiente — e o governo anunciou que o transporte público em Atenas será gratuito até a próxima terça-feira.

Diferentemente dos aposentados concentrados em frente ao banco, Aspasia, de 76 anos, assegura que não está disposta a ficar na fila e só tem € 50 dinheiro e que passarão a € 20 depois de fazer uma radiografia nesta segunda-feira. Com o restante, quer comprar peixe e convidar seus filhos para almoçar.

— Não tenho cartão nem medo. Não vou fazer fila. Tenho comida suficiente em casa e isso não me assusta em nada. Vivi a ocupação nazista e nada mais me impressiona.

— Chama a atenção a resistência dos idosos — diz o dono de um estabelecimento que fica lado do banco. — Para nós, mais jovens, é a primeira vez que vamos fazer frente a um momento tão difícil. Estou certo de que sobrevivermos a isso.

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