Grupo AES anuncia troca de comando no Brasil
Redação DM
Publicado em 17 de fevereiro de 2016 às 02:05 | Atualizado há 10 anosSÃO PAULO — A AES Brasil, holding do grupo americano de energia AES e controladora da Eletropaulo, anunciou nesta quarta-feira que o venezuelano Julian Nebreda assumirá a presidência do grupo em abril. Nebreda substituirá o brasileiro Britaldo Soares, que ficou nove anos no cargo.
A alteração de comando é acompanhada por uma reorganização de estratégia que prevê “crescer em geração, aprimorar a qualidade de serviço e recuperar o valor das distribuidoras”, segundo a empresa. Na nova estrutura, Charles Lenzi assime a vice-presidência de operações da holding e a presidência da AES Eletropaulo, que distribui eletricidade em São Paulo. Britaldo Soares foi remanejado para a presidência do Conselho de Administração das distribuidoras AES Eletropaulo e AES Sul, que atua no interior do Rio Grande do Sul, e na geradora AES Tietê.
Venda de ativos
Rumores que circularam em sites de notícias de que a reestruturação do comando estaria sendo feita para viabilizar a venda de ativos da companhia foram veementemente desmentidos pela AES nesta quarta-feira. Segundo a AES, “a reorganização da companhia busca o crescimento dos negócios do país e não venda de ativos”. Ainda de acordo com a empresa, o objetivo é “crescer em geração, aprimorar a qualidade de serviço e recuperar o valor das distribuidoras”.
O mercado também que não tinha conhecimento dessa possível mudança de estrutura para viabilizar a venda de ativos. Alexandre Montes, analista da Lopes Filho & Associados, disse que rumores de venda não têm circulado.
— A lógica me faz acreditar que isso não é verdade — disse Montes, para completar: — O melhor momento de venda dos ativos já passou e foi há cinco anos, quando o lucro da Eletropaulo era 10 vezes maior. Ao mesmo tempo, o pior momento financeiro da AES Corporation (nos EUA) foi após a crise de 2008, quando entraram em recuperação judicial, mas isso também já passou.
Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), também diz que a possibilidade de venda de ativos não corre no setor. Ele acrescentou ainda que não existe nenhum problema emergencial na empresa ou no segmento elétrico para ser resolvido que justifique a venda.
— Não há nada de imediato que esteja travando o setor. Pelo contrário — comentou.