Indústria cai 2,4% e tem o pior novembro desde 2008, diz IBGE
Redação DM
Publicado em 7 de janeiro de 2016 às 07:40 | Atualizado há 10 anosRIO – A produção industrial brasileira caiu 2,4% em novembro, frente a outubro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. Este foi o sexto mês seguido de queda e a maior baixa desde dezembro de 2013 (-2,8%). Na comparação com novembro de 2014, o recuo foi de 12,4% — 21ª taxa negativa seguida na comparação anual e a maior queda desde abril de 2009, quando foi de 14,1%. Já o resultado acumulado nos doze meses encerrados em novembro mostra um tombo de 7,7%. No ano, a retração é de 8,1%.
Quando se considera apenas os meses de novembro, a queda do ano passado foi a maior desde 2008, quando foi de 4,4%. Já o resultado acumulado do ano em onze meses é o pior desde 2009, quando foi de 9%. O desempenho em doze meses é o pior desde novembro de 2009, quando foi de 9,4%.
O resultado veio bem pior do que esperavam os analistas. A expectativa de economistas ouvidos pela Bloomberg News era de uma queda de 1% da produção frente a outubro e de 10,3% na comparação com novembro de 2014.
O desempenho da indústria foi marcado por taxas negativas. Três das quatro categorias de uso ficaram em baixa, assim como 14 dos 24 setores pesquisados. O rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em Minas Gerais, e a greve dos petroleiros influenciaram o resultado do mês de novembro, segundo o IBGE. A indústria extrativa caiu 10,9% frente a outubro e foi a principal influência para o resultado. Em seguida, veio o setor de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com recuo de 7,8%. Houve impacto não apenas da extração, mas também do refino de petróleo.
Também tiveram influência no resultado de novembro as quedas de produtos alimentícios (-2,2%), produtos minerais não metálicos (-3,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-6%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,9%), produtos do fumo (-14,9%), outros produtos químicos (-4,4%) e outros equipamentos de transporte (-3,8%).
A produção de bens intermediários caiu 3,8% em novembro, frente a outubro, e foi a redução mais intensa entre as quatro categorias de uso. Desde fevereiro o segmento tem taxas negativas. Mas os bens de consumo duráveis também tiveram recuo forte, de 3,2%, a quarta taxa negativa. Nesse período, a perda acumulada é de 18,9%. Já a produção de bens de capital — um indicador de investimentos — recuou 1,6%: o ritmo menos intenso, mas a segunda queda seguida. Nos dois meses, perdeu 3,7%. O único segmento com alta foi de bens de consumo semi e não duráveis, de 0,4%, após queda de 1% no mês anterior.
PIOR RESULTADO DA SÉRIE
O tombo de 12,4% na comparação anual é o pior resultado para um mês de novembro da série histórica do IBGE, que nesse indicador começou em novembro de 2003. O perfil de queda é disseminado: todas as quatro categorias de uso, 24 dos 26 ramos, 68 dos 79 grupos e 76,4% dos 805 produtos pesquisados.
Nessa base de comparação, a maior influência veio da produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, com queda de 35,3%. A pressão veio de automóveis, caminhões e outros veículos
Outros setores, no entanto, também tiveram forte impacto negativo, como coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (-12%), indústrias extrativas (-10,5%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-34,2%), entre outros.
Em um ano, a produção de bens de capital despencou 31,2%, acompanhada por um tombo de 29,1% dos bens de consumo duráveis. Já a produção de bens intermediários caiu 10,8% e a de bens de consumo semi e não duráveis, 4,8%.
A indústria sofre os efeitos do aumento da taxa de juros, que encarece o crédito e afeta setores como de automóveis e eletrodomésticos, que dependem mais fortemente de empréstimos. Além disso, as incertezas na economia inibem o consumo, que em última instância afeta a indústria.
Antes mesmo do período mais recente de crise da economia, no entanto, a indústria já não vivia uma fase áurea. O dólar baixo afetava a indústria tanto pela concorrência de produtos importados — que vinham mais baratos e acabavam conquistando a preferência dos consumidores e também da própria indústria, ao escolher seus insumos — e também pelo encarecimento das exportações. Com o real forte, os produtos brasileiros ficavam mais caros no mercado externo e perdiam espaço para itens de outros países, como os asiáticos.