Economia

Inflação alta faz defasagem do IR acumular 72,2% em 20 anos

Redação DM

Publicado em 11 de janeiro de 2016 às 01:41 | Atualizado há 10 anos

BRASÍLIA – A inflação na casa dos dois dígitos no ano passado acelerou a defasagem da tabela do Imposto de Renda. A correção historicamente abaixo da inflação e a disparada do indicador, aliados, fizeram a distorção da tabela saltar para 72,2% no período de 20 anos, segundo cálculo feito pelo Sindifisco Nacional.

Na prática, a defasagem faz com que, ano a ano, o contribuinte pague mais imposto do que pagou no exercício anterior. A disparidade ocorre porque a inflação nos últimos 20 anos cresceu de forma muito superior às correções estabelecidas para o Imposto de Renda. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou variação de 260,9% entre 1996 e 2015, a correção do IR foi de 109,6% no mesmo período.

Entre 2007 e 2014, por exemplo, a correção que vigorou foi a de 4,5% ao ano. Para se ter uma ideia, em 2014, a inflação foi de 6,41%. Pressionado, o governo aceitou estabelecer um novo critério neste ano, com correções gradativas. Na média, o reajuste foi de 5,6%. As faixas de renda mais baixas, quem ganha menos de R$ 2.826,66 mensais, tiveram um reajuste de 6,5%. A terceira faixa, entre R$ 2.826,67 e R$ 3.751,05, teve um reajuste de 5,5%. A quarta faixa, de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68, teve correção de 5% e quem ganha acima de R$ 4.664,68 teve 4,5% de reajuste.

Além de fazer com que o contribuinte pague mais imposto a cada ano, a defasagem em relação à valorização do salário mínimo faz com que todo ano mais pessoas saiam da faixa de isenção do pagamento de IR. No ano passado, por exemplo, houve um reajuste de 8,8% no piso salarial contra uma correção média de 5,6% do tributo.

Conforme o levantamento, as classes com renda menor são as mais prejudicadas. O estudo do Sindifisco mostra que uma pessoa com renda tributável mensal de R$ 4 mil paga hoje R$ 263,87, mas recolheria R$ 57,15 caso a tabela fosse totalmente corrigida. Ou seja, paga 361,7% a mais do que deveria. Já alguém com salário de R$ 10 mil tem um desconto 48,5% maior do que deveria.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia