Economia

Investidor Bill Gross alerta para distorções que afetam mercados

Redação DM

Publicado em 3 de fevereiro de 2016 às 03:55 | Atualizado há 10 anos

NOVA YORK – O megainvestidor Bill Gross, do Janus Capital Group, disse nesta quarta-feira que os mercados mundiais e grandes economias estão sentindo os efeitos de políticas monetárias inapropriadas, que serão agravadas por taxas de juros baixas ou negativas. Em sua última análise de investimentos, ele diz que os mercados globais e conomias estão “cada vez mais confusos e distorcidos”.

Gross afirmou que os grandes bancos centrais, entre eles o Federal Reserve, dos Estados Unidos, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão, parecem acreditar que as taxas de juros tão baixas podem gerar lucros importantes aos mercados financeiros que finalmente terão impacto positivo na economia real.

“Hoje em dia o Fed e outros bancos centrais são, na minha opinião, os que estão cada vez mais e mais confusos”, afirmou o economista.

Recentemente, o BC do Japão e o BCE adotaram taxas negativas, igual às entidades da Suécia, Suíça e Dinamarca.

“O que teria sentido perguntar é o quão bem sucedidas têm sido essas políticas até o momento; questionar se, depois de várias décadas de taxa de juros no zero, a economia japonesa conseguiu responder; ‘por que o crescimento da economia real em os EUA tem uma média de apenas 2% desde o final da grande recessão?”, escreveu Gross. “‘Como está funcionando para vocês?’ Esse seria um resumo curto e lógico sobre a incapacidade das taxas de juros baixas em gerar um crescimento econômico e global aceitável”.

O investidor deu vários exemplos e sustentou que a falência está “apenas na esquina” para a Venezuela devido aos baixos preços do petróleo e políticas inadequadas.

“Os preços atuais do petróleo são, em parte significativa, uma função de políticas de taxas de juros baixas dos bancos centrais nos últimos sete anos”, acrescentou.

SEM ALTA DOS JUROS NOS EUA?

Gross tem se posicionado fortemente contra os juros baixos nos Estados Unidos. A primeira elevação foi anunciada pelo Fed em dezembro para a variação entre 0,25% e 0,5%, ante níveis próximos de zero por quase uma década. A autarquia americana já indicou novas altas graduais ao longo deste ano e autoridades da entidade já sugeriram ao menos quatro ajustes em 2016.

No entanto, o mercado americano agora prevê nenhuma elevação este ano. Segundo a CNN Money, a probabilidade de não haver altas apontada por investidores agora é de 60%. Há um mês, o mercado considerava 75% de chances em pelo menos uma escalada na taxa de juros.

“O preço do petróleo continua a cair e o dólar ainda dispara. A economia global continua a enfraquecer e todos esses desenvolvimentos claramente estão pesando no crescimento econômico dos Estados Unidos”, afirmou Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, em comunicado nesta quarta-feira.

Certas autoridades do Fed parecem não saber que medida tomar ainda.

“Coisas aconteceram nos mercados financeiros e no fluxo de dados econômicos que podem entrar no processo de alterar a perspectiva de crescimento”, afirmou o presidente do Fed em Nova York, Bill Dudley, nesta quarta-feira, ao MarketWatch.

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