Economia

Juros do cartão de crédito chegam ao maior nível em 19 anos

Redação DM

Publicado em 12 de outubro de 2015 às 22:36 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – Pela 12ª vez consecutiva, as taxas de juros das operações de crédito voltaram a ser elevadas em setembro. Das seis linhas de crédito pesquisadas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) todas foram reajustadas no mês passado e a taxa média de setembro chegou a 7,23%, o maior patamar desde junho de 2009. Já os juros do cartão de crédito atingiram o maior nível de juros dos últimos 19 anos.

De acordo com a Anefac, os juros do cartão de crédito em setembro chegaram a 13,59% ao mês em setembro (361,40% ao ano), o maior patamar desde março de 1996, quando estavam em 14,08% ao mês e 385,86% ao ano.

– É uma espécie de ciclo vicioso. A inadimplência aumenta e os bancos aumentam os juros. Com queda de renda e aumento do desemprego, a inadimplência vai aumentar e os bancos deverão aumentar ainda mais os juros – explica Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor de pesquisas econômicas da Anefac.

No comércio, os juros saltaram de 5,30% ao mês para 5,32% (86,26% ao ano). No cheque especial, a taxa subiu de 10,14% em agosto para 10,24%

em setembro (222,16% ao ano). O juro dos empréstimos nos bancos para a compra de automóveis (CDC) subiu de 2,14% para 2,20% (29,84%). A taxa dos empréstimos pessoais nos bancos saltou de 4,15% para 4,20% (63,84%), enquanto nas financeiras a taxa cobrada neste tipo de empréstimo foi de 7,72% para 7,80% (146,28% ao ano).

Miguel avalia que o movimento de alta de juros para o consumidor deve se manter nos próximos meses. Além do crescimento da inadimplência, que leva os bancos a elevarem os juros para se precaver de possíveis calotes, os índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores estão reduzindo a renda das famílias.

– O baixo crescimento econômico deve promover o crescimento dos índices de desemprego. O rebaixamento da nota de crédito do país pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), perdendo o grau de investimento, também está no radar. Somado a isso, está a elevação da carga tributária para o sistema financeiro no pacote fiscal que subiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL) de 15% para 20%. Com isso, cresceu a a cunha fiscal das instituições financeiras que inevitavelmente repassam a alta para as taxas de juros das operações de crédito – explica Miguel Ribeiro.

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, a Selic teve uma elevação de sete pontos percentuais de 7,25% ao ano para 14,25% ao ano em setembro. Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou, no mesmo período, uma elevação de 43,13 pontos percentuais de 87,97% para 131,10% ao ano até setembro passado.

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