Levy defende criação de grupo para rever eficiência dos subsídios
Redação DM
Publicado em 20 de novembro de 2015 às 10:31 | Atualizado há 11 anosSAN FRANCISCO, Califórnia (EUA) — O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ao GLOBO, na quinta-feira, que pretende criar um grupo de trabalho no Executivo a fim de rever a “eficiência dos subsídios”, ou seja, cortar os dispêndios em setores que não estejam trazendo resultados para a economia. Levy também sugeriu que promoverá uma revisão do montante que a Previdência paga em auxílio-doença.
— A gente tem que olhar exatamente esse tipo de coisa, a eficiência dos subsídios. Eu ainda preciso de subsídios nos setores A, B ou C? Eles foram feitos com métricas adequadas? Está trazendo resultado? — disse, na sua chegada ao aeroporto de San Francisco, onde participará, nesta sexta-feira, de um painel sobre governança e longo prazo ao lado de Madeleine Albright, ex-secretária de governo dos Estados Unidos.
Ao ser questionado sobre gastos em setores considerados essenciais, Levy disse que sempre fala em longo prazo:
— Não é uma questão de ser essencial, [o governo] é que nem uma empresa. Quando uma empresa quer melhorar, faz uma revisão dos processos e dos produtos. O governo é um prestador de serviço e também tem que estar o tempo todo olhando se seus processos estão corretos. Temos que fazer isso de maneira sistemática.”
Mencionando a fala de Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na CPI do BNDES, em Brasília, também na quinta-feira, Levy disse que poderá formalizar as discussões entre os dois órgãos do Executivo para escrutinar subsídios.
— Acho que ele capturou bem essa questão. A gente [Ministério da Fazenda] tem conversado com eles, estamos pensando em montar um grupo de trabalho, pensar em talvez formalizá-lo — acrescentou o ministro, sugerindo que o auxílio-doença pode ser um dos próximos alvos do enxugamento das contas do governo. —A gente gasta muito em auxílio-doença, muito mais do que qualquer outro país. Por que será? Estou fazendo os exames corretos, com regras adequadas para a pessoa que precisa?”.
Questionado sobre quem faria uma auditoria do tipo, o ministro afirmou que a estrutura atual dos órgãos públicos é suficiente, mas que seria o caso de pedir auxílio a organizações internacionais:
— Eu acho que dá, você também pode trazer Banco Mundial, outras instituições, como a OCDE, que fez um bom trabalho agora sobre saúde, empresas privadas, consultorias. Tem mil maneiras de fazer isso, e tem em todos os países, nas democracias.
Na manhã da quinta, Levy falou a investidores do banco Bradesco BBI, quando disse a jornalistas que continua “tranquilo” no cargo, apesar das críticas que tem recebido. AoGLOBO, em San Francisco, o ministro voltou a minimizar a situação.
— Que saia-justa? Você já viu alguém em cargo administrativo que não recebe críticas? Acho que você tem que estar ouvindo, porque, muitas vezes, das críticas vêm boas ideias — disse.
A jornalistas, o ministro atribuiu o “momento difícil” vivido pelo país ao fim do “boom” de commodities.
Nesta sexta, Levy também vai participar de uma reunião na Universidade Stanford, no Vale do Silício, com o Hoover Institution, de políticas públicas.
Cobrança por mais investimento em tecnologia
— Vou conversar com o pessoal da tecnologia, trocar umas impressões para ver o que estão prospectando de Brasil — disse Levy, para quem o governo brasileiro, junto com o setor privado no país, não investe o suficiente em tecnologia, o que considera o “segredo” da produtividade:
— A tecnologia vai ser muito importante [no reajuste fiscal]. O segredo da economia, para aumentar produtividade, é a tecnologia. Falta investir. Mas falta investimento de quem? Do governo, de todo o mundo. É preciso ver a qualidade dos gastos. Com a tecnologia, você tem essas coisas, como big data [informações em grande escala]. Você pode extrair a informação de diferentes bancos de dados — afirmou.
Depois de criticar a falta de investimento governamental no setor tecnológico, Levy citou o que considera bons exemplos no país
— Na dívida ativa, a gente tem investido muito em tecnologia. Na Receita, o próprio e-Social, demorou um pouquinho [para funcionar sem problemas] porque teve lá um problema de greve, mas poucos países têm isso. Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, para você pagar imposto, tem que pagar para uma pessoa. No Brasil, as empresas e as pessoas têm prontos esses dados pelo governo. É a melhor tecnologia do mundo — afirmou.
Depois de quatro dias de funcionamento problemático do eSocial e milhares de reclamações, a Receita Federal adiou, no último dia 5, o prazo para que os empregadores pagassem o FGTS e demais tributos obrigatórios de trabalhadores domésticos. Em vez de 6 de novembro, .