Mais de 83 mil goianos já foram demitidos na Construção Civil
Redação DM
Publicado em 29 de janeiro de 2016 às 14:35 | Atualizado há 1 anoAtualização: Ao contrario da informação publicada nesta reportagem, por volta das 9h desta sexta-feira (29), 416 mil brasileiros e 83.648 goianos desligados do setor da construção em 2015
Há pouco mais de dois anos, ser engenheiro era o sonho de muitos dos jovens universitários do Brasil.
A prosperidade e a importância que o curso ganhou na última década fizeram com que estes vissem na profissão um futuro estável para si.
Porém, os acontecimentos que sucederam o ano de 2013 trouxeram instabilidade para a área e uma má fase para aqueles que trabalham nela.
O número de engenheiros empregados formalmente aumentou de 146,1 mil para 273,7 mil no período de 2003 a 2013, um crescimento de 87,4%.
Este crescimento foi maior do que o do emprego formal como um todo, que atingiu 65,7% no período.
Informações divulgadas pelo Centro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, indicam que o número de saldos de postos de trabalho caiu de sete mil, em 2012, para 2,8 mil no ano seguinte.
Em 2014 este número despencou ainda mais, devido à perda de 3,1 mil postos de trabalho na engenharia.
Para piorar, neste mesmo período a rentabilidade do setor civil caiu de 11,2% para 2,3%.
Outros setores da engenharia, como a autoindustria, tiveram uma retração de 15% nas vendas em 2014. As fabricantes de eletrônicos encolheram 9%.
Presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás (Sinduscon), Carlos Alberto Moura afirma que só no ano passado mais de 400 mil colaboradores da construção civil perderam seus empregos. No estado de Goiás foram demitidos mais 83,6 mil trabalhadores.
Ele também comenta que só o setor da construção computou 30% das demissões de 2015.

Ainda assim, Moura explica que, mesmo o quadro de mercado atual não sendo agradável, o estado de Goiás conseguiu se manter estável, se comparado a outras regiões do país.
Segundo o presidente, isso se deve ao fato da responsabilidade que o estado assume em relação à exportação de ‘commodities’ primários, que obrigam um investimento maior na área.
Ainda que a crise econômica tenha tido grande influência para o quadro atual, parte das consequências enfrentadas pelo mercado da engenharia é de responsabilidade do próprio setor.
Com os anos de euforia motivados pelo crescimento do setor, ocorreu um excesso de ofertas em algumas cidades, o que causou uma paralisação na hora do lançamento.
Em relação às empreiteiras, ocorreu o escândalo da Lava Jato.
Quando questionado sobre qual dos ramos da engenharia civil tem maior sustentabilidade de trabalho, o presidente informou que a área com maior segurança é o da incorporação.
Neste ramo os engenheiros têm a possibilidade de fazer seus projetos de acordo com o mercado.
E SE AGRAVAR?
O déficit do setor pode afetar muito a economia do país caso a crise piore, já que é responsável por 6,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e emprega diretamente três milhões de pessoas.
Moura acredita que o estado do mercado é consequência de uma crise de confiança no Governo Federal, e que tanto a crise quanto a Lava-jato são frutos da falta de planejamento e da corrupção.
“O Governo tem que entender que não se governa um país só por quatro anos. Essa necessidade de imediatismo, ficar tapando buraco que vai abrir de novo daqui ‘15 minutos’, pode custar caro a médio e longo prazo”, afirma.
MUDANÇA DE PLANOS
Gustavo Lobo Vitali tem 24 anos e se formou em engenharia civil no em 2014 pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Ele afirma que quando entrou no curso estava seguro de que logo embarcaria no mercado de trabalho.
Porém, Gustavo conta que não foi tão fácil assim.

Ele obteve sua formação acadêmica no início da crise no setor. O engenheiro afirma que, em 2014, não lhe faltaram oportunidades e que em setembro conseguiu trabalhar em uma obra em Rio Verde, na qual ficou até ser concluida.
Em 2015, no entanto, o jovem conta não ter encontrado tanta sorte: “No primeiro semestre do ano, não consegui nenhuma oportunidade, mesmo com uma rede de contatos e parentes que trabalham na área”, comenta.
O jovem começou a estudar para concursos e mesmo ocupando a segunda colocação na prova, ainda tem que esperar a renúncia do primeiro colocado.
OUTRA ÁREA
Ainda que esteja na espera da decisão de seu concorrente, Gustavo já pensa em mudar sua área de trabalho.
Ele ainda comenta que a área da construção é fechada, e que muitas das vezes as contratações só são feitas por meio de indicação ou na busca de talentos através do estágio .
“Para ser sincero, tem uns seis meses que não mando um currículo por saber que não terei retorno, [principalmente] ao ver tantos sendo demitidos”.