Economia

Marconi lidera movimento para salvar hidrovia

Redação DM

Publicado em 9 de julho de 2015 às 01:13 | Atualizado há 11 anos

Helvécio Cardoso,Da editoria de Economia

 

Em maio passado, as operações na Hidrovia Tietê/Paraná completaram um ano de paralisação. A vazão, insuficiente para abastecer usinas hidrelétricas localizadas no Estado de São Paulo e ao mesmo tempo para permitir o tráfego de barcaças cargueiras, é a principal causa da interrupção. Depois de ter discutido o assunto, no âmbito do Ministério dos Transportes, o governador Marconi Perillo esteve, ontem, como ministro-chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante, a quem solicitou mediação no debate visando a reativação da hidrovia, que vem sendo travado com os técnicos do Estado de São Paulo, sendo acompanhado do secretário Vilmar Rocha, do Meio Ambiente e Cidades.

Os prejuízos para a logística de transporte da região Centro-Oeste, de forma mais aguda, já são considerados grandes. O Porto de São Simão, no extremo Sudoeste de Goiás, transformou-se em ancoradouro de barcaças abandonadas. Sem a opção do transporte hidroviário, as empresas que operam no local tiveram que demitir, gerando o desemprego de mais de mil trabalhadores nos últimos meses.

A crise vem sendo acompanhada de perto pelo governador de Goiás que, desde o ano passado, tem mantido contatos com diversos órgãos do governo federal na busca de uma solução para o problema.

A solução passa, necessariamente, pelo recuo de São Paulo em determinar o fechamento da hidrovia na altura do município paulista de Pereira Barreto. O governo paulsita tomou esta medida para favorecer a geração de energia elétrica em detrimento do transporte de cargas.

O conflito provocou uma reunião onterm do governador Marconi Perillo com o ministro Mercadante e técnicos de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no quarto andar do Palácio do Planalto.

O encontro definiu que uma próxima reunião, na semana que vem, tende a uma solução de compromisso, contemplando os interesses de todos os Estados envolvidos. “Esta próxima reunião”, afirmou o governador, “poderá encontrar uma solução, já que as empresas têm vários estudos que dão segurança para uma desfecho que seja bom para todos, ou seja, para a hidrovia e para a geração de energia”.

“A questão”, prosseguiu Marconi, “é que estamos diante da possibilidade de termos fechado o canal de Pereira Barreto e com isso ter interrompida, definitivamente, a Hidrovia Paranaíba/Tietê/Paraná”, assinalou. Na avaliação de Marconi, a paralisação da hidrovia causará o encarecimento de mercadorias que são transportadas por barcaças. “É preciso ponderar que, do ponto de vista ambiental, da economia, da competitividade e da preservação das estradas, é muito importante que tenhamos o funcionamento de uma hidrovia como esta”.

A Hidrovia Tietê/Paraná tem 30 anos de funcionamento. A sua continuidade, segundo o governador, é uma questão mais técnica do que política. “O que está em jogo é vazão para se gerar energia versus vazão para o transporte de mercadorias. Se existe um nível abaixo do estabelecido em termos de cota máxima, as barcaças não vão se movimentar. Esta, portanto, é uma decisão muito mais técnica do que política, embora é preciso que se tenha sensibilidade política também”, explicou Marconi

A Hidrovia Tietê-Paraná tem 2,4 mil quilômetros de extensão e é uma importante rota para o escoamento de grãos e celulose dos Estados de São Paulo, Mato Grosso Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. De acordo com o Departamento Hidroviário, o prejuízo com a paralisação já soma R$ 700 milhões.

As empresas que precisam escoar a produção estão tendo que se adaptar a essa realidade. Um único comboio de barcaças leva seis mil toneladas de grãos. Para transportar a mesma quantidade são necessárias 200 carretas e o custo com frete e combustível aumentou em 40%.

O secretário de Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente, Vilmar Rocha, acompanhou o governador no encontro.

 

 

 

 

 

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