Economia

Menos trânsito em São Paulo é reflexo da recessão, segundo especialistas

Redação DM

Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 04:35 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO – A pior recessão do Brasil em 25 anos eliminou empregos e levou a um aumento das falências corporativas. Mas existe uma vítima que não deixará saudade: o trânsito na hora do rush. Os engarrafamentos em São Paulo, pólo financeiro do país, diminuíram entre às 17h e às 20h. Os congestionamentos noturnos, que chegaram em uma média a 171 quilômetros no ano passado – quase oito vezes a extensão de Manhattan –, caíram até 28% em 2015, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Embora isso represente um alívio para quem sofre com congestionamentos na metrópole de 19 milhões de habitantes, a principal causa por trás da melhoria não é motivo para celebrar. As recessões consecutivas esperadas para este ano e para o próximo estão empurrando o Brasil para um ciclo vicioso de perdas de emprego e cortes nos gastos de consumo. Com o aumento do desemprego – que atingiu 7,6% em setembro, nível mais alto desde 2009 –, os shoppings estão mais vazios e menos pessoas estão comendo fora, dizem associações empresariais.

— A atividade econômica e a renda estão encolhendo, por isso o fluxo de veículos nas grandes cidades vem sendo afetado — afirmou Clemens Nunes, professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV. — Isso está reduzindo o trânsito de caminhões entre fabricantes, distribuidores e lojistas. Há menos demanda por serviços, o que reduz as idas aos shoppings, salões de beleza, pet shops e restaurantes.

AÇÕES DA PREFEITURA

A queda no tráfego coincide com uma série de programas implementados pela prefeitura para diminuir os congestionamentos, incluindo mais faixas exclusivas de ônibus, aplicação mais rigorosa dos limites de velocidade para reduzir acidentes e zonas apenas para bicicletas. Apesar de essas medidas terem contribuído parcialmente para o declínio, a recessão é o maior motivo, disse Nunes, que estuda a economia de São Paulo. A economia do Brasil, a maior da América Latina, deverá sofrer uma retração de 3,5% neste ano e de 2,3% em 2016, segundo relatório do Banco Central.

O número de clientes que frequentam os restaurantes de São Paulo, maior fator gerador de empregos em um estado que responde por quase um terço do produto interno bruto do Brasil, caiu 4% no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, disse a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O declínio se aplica sobre a queda de 8% registrada no segundo trimestre.

Enquanto isso, as vendas do varejo no estado de São Paulo caíram pelo oitavo mês seguido em setembro, segundo o IBGE. Em todo o país, as vendas de carros diminuíram quase pela metade e fábricas foram fechadas, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Até mesmo o tráfego aéreo diminuiu. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reporta que o número de viajantes entre o Rio de Janeiro e São Paulo, uma das rotas aéreas mais movimentadas do mundo, sofreu um declínio de 17% nos três primeiros trimestres deste ano.

ÔNIBUS MAIS CHEIOS

Tudo isso faz com que as ruas da cidade mais populosa da América do Sul pareçam um pouco menos lotadas atualmente. Haverá algum lugar que pareça mais cheio? Sim, os ônibus municipais.

Em uma pesquisa realizada em setembro, 59% dos usuários de ônibus disseram que esse meio de transporte parece mais cheio do que há um ano, segundo dados da Ibope Inteligência. No ano passado, apenas um terço dos participantes pensava assim.

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