Ministro diz que acordo é única saída para superar crise comercial com EUA
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 22 de julho de 2026 às 11:28 | Atualizado há 49 minutos
Ministro Márcio Elias Rosa defende acordo entre Brasil e Estados Unidos para resolver impasse comercial provocado por novas tarifas | Foto: Elizabeth Frantz/Reuters
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) em entrevista à rádio BandNews FM que apenas um acordo poderia melhorar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
“Nada vai, independentemente de resultado de eleição, melhorar essa relação senão um acordo”, afirmou o ministro, ressaltando que a vitória de um candidato de direita por si só não resolveria o imbróglio, e que os Estados Unidos buscam reestabelecer uma zona de influência na América Latina.
“Aí eu acredito na necessidade, na obrigatoriedade de realizarmos um acordo”, afirmou.
Novas tarifas dos Estados Unidos entram em vigor
Nesta quarta-feira, os EUA aplicaram novas tarifas de 25% que entraram em vigor com base em uma investigação que acusou o Brasil de lançar mão de práticas comerciais injustas. A sobretaxa ameaça cerca de R$ 55 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.
Elias Rosa voltou a dizer que a sobretaxa não dá ao Brasil “o direito de perder a razão” e afirmou que, para acionar a Lei de Reciprocidade, o governo precisa primeiro calcular o tamanho do impacto das novas tarifas e, depois, dimensionar qual medida poderia corresponder a uma resposta equivalente.
“Para produzir a reciprocidade você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, se não você perde o controle da negociação”, afirmou o ministro. “O Brasil vai usar esse instrumento quando for necessário.”
Governo muda tom sobre possível retaliação
Essas falas se somam ao que disse ontem o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — “no olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos” — e representam um recuo na posição inicial do governo Lula (PT), que falava em acionar imediatamente os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade.
A lei permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras injustificadas aos produtos brasileiros, e também abre espaço para consultas diplomáticas entre os países envolvidos, resultando em uma saída negociada.
Divergência entre Lula e Trump teria iniciado negociações
Questionado por jornalistas sobre os bastidores da negociação, Elias Rosa narrou que uma divergência grave entre os presidentes Lula e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, durante visita diplomática em maio deste ano, teria sido o pontapé inicial para as negociações mais recentes em torno da investigação comercial.
“A negociação paralela decorreu da visita que fizemos lá em maio, porque na discussão no Salão Oval houve uma divergência grave na questão das tarifas. O presidente Trump e o embaixador Greer com uma tese, e o presidente Lula e eu com outra totalmente diferente”, contou Elias Rosa.
“É óbvio que saímos dali sabendo que nós não fecharíamos um acordo dentro de 30 dias, mas eu acreditava na possibilidade de um entendimento, e acho que o embaixador Greer também acreditava.” (Marcos Hermanson/FOLHAPRESS)