Missão goiana visita maior tecnoparque em construção
Redação DM
Publicado em 24 de junho de 2015 às 23:50 | Atualizado há 1 ano
Goiás quer aprofundar iniciativas no setor de ciência, tecnologia e inovação para alcançar novos estágios de crescimento econômico e, em Moscou, a missão empresarial e governamental conheceu, ontem, a experiência da Fundação Skolkovo, o maior parque tecnológico em construção na Rússia. O vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico (SED), José Eliton, e comitiva foram recebidos pelo vice-presidente do Cluster de Biomedicina, Kirill Kaem, que fez exposição sobre objetivos e resultados da instituição.
O parque tecnológico russo fica a 15 quilômetros de Moscou, em uma área de 400 hectares, que terá ao todo 2,5 milhões de metros quadrados construídos. No complexo, previsto para ficar pronto em 2020, funcionará uma cidade tecnológica, com universidade, laboratórios, incubadoras de empresas, startups, além de conjuntos habitacionais, escolas, centros comerciais, de medicina e de recreação. A previsão é que Skolkovo seja moradia para 25 mil pessoas e local de trabalho, estudo e pesquisa para outras 30 mil.
“Queremos agregar conceitos para proporcionar maior eficiência ao processo econômico”, declarou o vice-governador José Eliton ao se declarar impressionado com o conjunto de fatores que colocam Skolkovo em primeiro lugar dentre todos os tecnoparques do mundo. Ele informou aos dirigentes locais que pretende estabelecer agenda de contatos entre organismos de Goiás que lidam diretamente com conhecimento e os cientistas da fundação russa. Defendeu intercâmbio que englobe a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Emater, gestores de ciência, tecnologia e inovação, indústria e comércio da SED.
Na apresentação, José Eliton relatou os esforços do governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, no sentido de construir e fortalecer parques e condomínios tecnológicos, incentivar a pesquisa e a inovação. Citou Goiás como segundo maior polo fármaco do País, destacou a permanente evolução do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) que engloba grandes empresas, citou as políticas de atração de investimentos e a determinação do governador Marconi Perillo em internacionalizar cada vez mais o Estado. “Queremos aperfeiçoar nossas iniciativas e aprender com as experiências da Rússia”, disse.
O vice-presidente do Cluster de Biomedicina da Fundação Skolkovo, Kirill Kaem, relatou a trajetória deste centro científico e tecnológico responsável pelo desenvolvimento e comercialização de tecnologias avançadas. É uma organização sem fins lucrativos fundada pelo governo russo em setembro de 2010 com objetivos de mobilizar recursos para investigação avançada e aplicada, bem como criar um ambiente propício à pesquisa científica em cinco áreas prioritárias do progresso tecnológico: nuclear, espacial e telecomunicação, informação, energia, ciências biomédicas e farmacológicas. Estes dois últimos, fez questão de acentuar Kaem, “sei que interessam diretamente Goiás”. Ele disse ainda que o complexo gostaria de contar com as experiências da empresa brasileira Embrapa. Os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Pedro Alves, e executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás, Marçal Henrique Soares, comandaram as interlocuções técnicas.
O cientista russo relatou que a fundação já gerou dois prêmios Nobel. Somente em 2014, houve 144 solicitações para propriedade intelectual. E relatou números expressivos: 1.200 startups (empresas iniciantes de tecnologia), 2 mil propostas para patentes, 50 convênios com parceiros gigantes, mil solicitações de estrangeiros em diferentes esferas de conhecimento, 240 projetos em biomedicina, US$ 2,2 bilhões de faturamento privado, US$ 10 milhões de subsídios científicos, investimentos totais projetados de US$ 25 bilhões. Dentre as solicitações, apenas 20% passam pela expertise do órgão.
O complexo fará a integração entre startups, investidores, universidade, parque tecnológico, parceiros empresariais e comerciais além de instituições promotoras de soluções de infraestrutura. A fundação oferece isenções fiscais, burocracia simplificada, acesso à venture capital, exposição na mídia e aportes que podem chegar a 100% do capital da empresa em estágio inicial.
Investimentos para óleo e gás

O modelo regulatório brasileiro não atrai investimentos para a indústria de petróleo e gás natural. A declaração foi feita, ontem, pelo presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Jorge Camargo, ao destacar a necessidade de uma série de melhorias para estimular o crescimento desses investimentos no País. Segundo Camargo, os investimentos no setor de petróleo e gás no mundo têm sido de US$ 700 bilhões anuais, dos quais menos de 6% têm sido feitos no Brasil. Isto, segundo ele, apesar de cerca de 40% de todas as descobertas de petróleo feitas nos últimos dez anos terem sido feitas no Brasil.
“O Brasil certamente poderia atrair muito mais investimentos do que atrai hoje. E não é por falta de potencial exploratório. É o modelo regulatório que é pouco estimulante a atração de novos investimentos”, destacou Camargo na abertura do 16º Seminário de Gás Natural, no Rio de Janeiro.
O executivo destacou cinco pontos fundamentais para o País atrair mais investimentos no setor; maior regularidade e frequência nos leilões de áreas para exploração e produção; tornar o conteúdo local mais simples e focado, estimulado mais por incentivos e não multas, como é hoje. Outro ponto destacado pelo executivo é a necessidade de estimular a diversidade de operadores nos blocos, uma vez que hoje, pela legislação em vigor, só a Petrobras é a operadora única nas áreas do pré-sal. Ele destacou também a importância de manutenção e estabilidade fiscal regulatória maior e um licenciamento ambiental mais célere.
O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Hugo Repsold, presente ao evento, evitou falar ou dar maiores detalhes sobre os planos de expansão da oferta de gás natural da estatal, uma vez que está para apresentar seu Plano de Negócios 2015/19 amanhã. Por isso Repsold foi evasivo ao falar sobre a garantia futura da oferta de gás pela Petrobras.
“A Petrobras trabalha insistentemente para desenvolver as reservas brasileiras, produzir e atender e honrar seus contratos. Então, a gente importa o gás Natural Liquefeito (GNL) e importa o gás da Bolívia para manter nossos contratos, nossos compromissos”, destacou Repsold.
Sobre a expansão da oferta ele disse: “Na hora que a gente tiver mais reservas e mais descobertas, a gente vai desenvolver. Temos três rotas de escoamento sendo implementadas que vão aumentar a disponibilidade do gás do pré-sal”, destacou Repsold.