Economia

Na reunão do G-20, checagem mostra dados falsos em discursos de dois líderes

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 09:45 | Atualizado há 11 anos

RIO – A veracidade de pontos mencionados por líderes em discursos no encontro do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, em Antália, na Turquia, foi verificada por várias plataformas dedicadas à checagem de dados na Segunda Maratona Internacional de Fact-Checking do G-20.

Foram reunidas 14 plataformas jornalísticas, entre elas Washington Post Factchecker (EUA), Pagella Politica (Itália), Africa Check (Nigéria) e Full Fact (Reino Unido), além da startup brasileira Lupa.

Veja o resultado do cruzamento, segundo cada plataforma:

JACOB ZUMA (presidente da África do Sul)

“Nós conseguimos atrair mais de US$ 14 milhões de investimento para a geração de cerca de 6 mil megawatts de energia renovável”

FALSO

Segundo o site Africa Check, Zuma subestimou e muito o tamanho do investimento que seu país conseguiu atraiu através do programa de energia renovável. Produtores independentes de energia aportaram cerca de US$ 13,4 bilhões à causa, não US$ 14 milhões, como Zuma afirmou em seu discurso.

RECEP TAYIP ERDOGAN (presidente da Turquia)

“O salário mínimo na Europa é de cerca de € 200”

FALSO

Segundo o site Doğruluk Payı, que citou dados do Eurostat data, em julho de 2015 (último disponível), a média dos 23 países computados é de aproximadamente € 790. O único país europeu com salário mínimo abaixo de € 200 era a Bulgária (€ 194).

James Cameron (premier do Reino Unido)

“O Reino Unido já é o segundo país que mais oferece ajuda humanitária (à Síria), com 1,1 bilhão de libras repassado em assistência à vida”

VERDADEIRO

Segundo o site Full Fact, que citou dados das Nações Unidas, a afirmação de Cameron é correta. A ONU mantém em seu site uma lista de “doações para a crise na Síria”, com valores repassados nos últimos quatro anos. Com mais de US$ 1,5 bilhão, o Reino Unido é o segundo país do ranking. Fica atrás dos Estados Unidos e do grupo de nações formado pela Comissão Europeia.

Jean Claude Junker (presidente da Comissão Europeia):

“As medidas que foram postas em prática na Europa até agora (após os atentados de Paris) respeitam o acordo de Schengen. A decisão do presidente francês de voltar a impor controle nas fronteiras é expressamente permitida pelo acordo de Schengen como uma reação a um evento deste tipo”

VERDADEIRO

De acordo com o site Pagella Politica, o tratado de Schengen prevê que a livre circulação entre as fronteiras seja revogada ante casos de emergência. Isso já ocorreu durante a crise dos refugiados e levou a Justiça a referendar esse artigo como válido.

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