Nova CPMF é bombardeada por deputados em audiência de Levy
Redação DM
Publicado em 14 de outubro de 2015 às 02:15 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A proposta de recriação da CPMF foi bombardeada pelo plenário da Câmara dos Deputados durante participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na tarde desta quarta-feira. No local, alguns parlamentares inclusive seguram placas escritas “Xô, CPMF” e esbanjavam poses para as câmeras fotográficas. O líder do Solidariedade, Arthur Maia (BA), foi taxativo e chegou a aconselhar o titular da Fazenda: “Vou lhe falar como amigo, esqueça a CPMF. Você sabe, qualquer um nessa Casa sabe, a CPMF não vai ser aprovada”.
A proposta de recriação provisória, por quatro anos, do imposto do cheque é o carro chefe do governo para garantir um superavit fiscal no ano que vem. A expectativa é de que a alíquota de 0,20% sobre as transações financeiras gere uma arrecadação de R$ 32 bilhões aos cofres públicos.
Para os parlamentares, no entanto, a proposta é extremamente impopular. O líder do Partido Republicano da Ordem Social (Pros/CE) critica ainda a vinculação de todo o recurso arrecadado com a aplicação do tributo à Previdência Social. Para ele é um “absurdo” que o montante não seja destinado à saúde.
— Como convencer que o governo quer reforma pra para Previdência se ao mesmo tempo quer botar um paliativo?
Levy reagiu aos comentários negativos e ponderou que, sem os recursos da CPMF, alguns programas sociais seriam atingidos.
— Ele (Arthur Maia) é contra a CPMF. Mas se a gente não tiver CPMF, tem risco de programas importantes, como seguro desemprego e abono salarial, ficarem em risco.
Na contramão, o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), ressaltou que é importante discutir a CPMF de forma rápida e enfatizou que o tributo tem caráter provisório.
— Essa ideia brilhante que foi do PSDB, queremos vinculá-la à seguridade social. Não se trata de criar tributo novo, é algo provisório. O que não podemos é ficar nesse clichê da oposição que só tem um caminho, não discute um caminho, alternativas. É aquela música de uma nota só: impeachment, impeachment.