Novo governo argentino quer voltar a negociar com ‘fundos abutres’
Redação DM
Publicado em 9 de dezembro de 2015 às 04:25 | Atualizado há 11 anosNOVA YORK – O novo governo argentino começou a tentar destravar o impasse entre Buenos Aires e os chamados “fundos abutres”. O novo secretário das Finanças do país, Luis Caputo, se reuniu nesta quarta-feira em Nova York com o mediador Daniel Pollack, responsável por conduzir as negociações entre o país e os investidores. No encontro, Caputo comunicou a “intenção de dar início às negociações rapidamente, após a posse na quinta-feira”, segundo nota divulgada por Pollack,
Ainda de acordo com o comunicado do mediador, a reunião foi solicitada por Caputo e teve caráter “introdutório”. Nenhuma data para uma nova rodada de negociações foi definida. Pollack também confirmou que se encontrou com um grupo de investidores que têm direito a cerca de US$ 10 bilhões em títulos da dívida do país vencidos,
“Nenhuma negociação substancial para resolver o litígio da dívida aconteceu em nenhum dos encontros”, disse Pollack.
A queda de braço entre o governo argentino e os “fundos abutres” se arrasta há anos na Justiça dos EUA. Em 2012, o juiz Thomas Griesa, responsável pelo caso, condenou a Argentina a pagar US$ 1,6 bilhão em dinheiro, em única parcela, aos fundos NML Capital e Aurelius, que não aceitaram a renegociação do calote de 2001.
O governo de Cristina Kirchener não cumpriu a ordem judicial, o que levou Griesa a reter US$ 539 milhões que haviam sido depoisitados no banco BNY Mellon para pagar credores que haviam concordado com os termos da renegociação da moratória. Com isso, a Argentina entrou em calote técnico, consolidando o rompimenro do país com o mercado financeiro internacional.
No fim de outubro, Griesa aceitou 49 ações relativas a títulos da dívida argentina, em um total de US$ 6,1 bilhões, que vêm a se somar à decisão em favor dos “fundos abutres”.
A Argentina fez duas reestruturações de sua dívida referente a 2001: em 2005 e 2010. Cerca de 93% dos credores aceitaram receber um valor substancialmente menor pelos papéis, mas 7% rejeitaram o acordo, exigindo o reembolso da totalidade do montante da dívida, acrescido de juros. O governo Kirchner qualifica os fundos especulativos de “abutres” por terem comprado títulos em em leilões, a um preço bastante inferior ao seu valor de face, com o único objetivo de recuperar o seu montante nominal por meio de ações na Justiça.
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