‘O Brasil tende a perder produção e a aumentar o desemprego’, diz diretor da Abit
Redação DM
Publicado em 4 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, lamentou ontem que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tenha agido por interesses pessoais e defendeu que o processo de impeachment se dê dentro dos preceitos constitucionais. Ele disse ainda temer que o embate político se estenda por muito tempo e complique ainda mais a já delicada situação econômica do país.
O que o senhor achou da decisão do deputado Eduardo Cunha de aceitar o pedido de abertura do processo de impeachment?
Nesses processos surgem lideranças, aqui e acolá, que acabam vindo com visões messiânicas. Não é uma visão de país. É uma visão de “só eu e mais ninguém”. A sociedade está pagando o preço. O momento do Brasil é extremamente grave, vivemos três crises ao mesmo tempo, e uma alimenta a outra. Temos a crise política, a Lava-Jato, e tudo isso transpassa para a economia. Espero que os parlamentares tomem as decisões dentro daquilo que está escrito na Constituição.
Mas a economia não sofreria mais se esse processo demorar muito?
O impeachment existe, e já tivemos esse processo lá atrás. E pagamos caro por isso. Mas (antes mesmo desse novo processo) já estamos pagando caro com a crise econômica. A Justiça e o Congresso têm de decidir rapidamente.
O risco de haver novos impasses permanece?
Certamente, este novo fato coloca novos elementos na equação política, e isso vai polarizar as decisões do Congresso nos próximos meses. Enquanto isso, o Brasil tende a perder produção, fechar empresas e a aumentar o desemprego, o que é um desastre.
Para a economia, qual seria o melhor desfecho para o processo de impeachment?
Não vou fazer juízo de valor, nem vou dizer se sou contra ou a favor (do afastamento da presidente). Mas existe um processo que foi deflagrado pela possibilidade que se tem dentro do marco regulatório do país. Com certeza, isso (o processo) não vai se traduzir em mais calma para o país.
Diante das disputas em curso, o senhor acha possível haver um desfecho rápido para o processo?
Não podemos nos dar ao luxo de retroceder. A questão política permeia toda a sociedade, e a crise política vai ter de ser resolvida pelos políticos.