O GLOBO ganha Prêmio Esso de Reportagem e de Educação
Redação DM
Publicado em 19 de outubro de 2015 às 05:00 | Atualizado há 11 anosRIO – O GLOBO conquistou duas categorias do Prêmio ExxonMobil, antigo Prêmio Esso. A série “Anda e Para”, publicada na editoria Economia, ganhou o prêmio de Reportagem. A série “Educar em Áreas de Conflito”, publicada na editoria Sociedade, sobre a realidade nas escolas públicas onde a violência urbana impera, foi agraciada com o Prêmio Esso de Educação.
De autoria de Cássia Almeida, Henrique Gomes Batista, Danilo Fariello, João Sorima Neto, Roberta Scrivano, Letícia Lins, Vivian Oswald e Fernando Eichenberg, a série de reportagens multimídia “Anda e Para” revelou que o Brasil gastou o dobro de recursos incentivando o uso de carro do que destinou ao transporte de massa. Foram R$ 19,3 bilhões de desconto do IPI em 2013, além de subsídios à gasolina, e somente R$ 10,2 bilhões destinados à mobilidade urbana. A série mostrou a calamidade do transporte público brasileiro, que faz o tempo médio de deslocamento nas cidades chegar a uma hora e meia, e as consequências brutais dos acidentes no trânsito, matando 55 mil e deixando inválidos 445 mil por ano. Até nos preços foi possível mostrar a opção pelo carro que o Brasil adotou: as tarifas do transporte público subiram mais que o dobro que a gasolina e o preço do automóvel novo nos últimos 20 anos.
— Tentamos mostrar o nó da mobilidade urbana no Brasil, que diminui a qualidade de vida dos brasileiros e que tem recebido pouca atenção dos governos — afirma Cássia Almeida.
Henrique Gomes Batista lembrou da história de a empregada doméstica Belmira dos Santos Felix, que precisava pegar uma charrete para chegar à estação de trem e depois ainda um ônibus para estar no trabalho:
— Apesar das dificuldades da moradora de Queimados, que precisa pegar até charrete com burro para chegar ao trabalho, ela era super bem-humorada, conseguimos mostrar uma situação triste com leveza
Danilo Fariello relatou a frustração com as obras de mobilidade prometidas para a Copa de 2014.
— Conforme a apuração avançou, percebemos a enorme distância entre a expectativa de mudanças na mobilidade urbana, após as manifestações de 2013 e com a Copa de 2014, e o que continua a ser a angustiante realidade das grandes cidades brasileiras.
A série de reportagens “Educar em áreas de conflito”, publicada na editoria Sociedade, nos dias 28,29 e 30 de junho deste ano, foi trabalho dos repórteres Antônio Gois,Carol Knoploch, Paula Ferreira, Raphael Kapa e Renata Mariz. A série expôs os desafios enfrentados por professores, gestores e alunos em escolas localizadas em áreas violentas de diferentes cidades.
Num Ciep no Complexo da Maré, no Rio, estudantes e funcionários desenham corações nos buracos de bala na parede, e a professora toca música na sala de aula em épocas de conflito. Em uma escola estadual no Complexo do Lins, a Cruz Vermelha treinou docentes e alunos sobre como proceder durante tiroteios. Em Manaus, a administração de uma unidade de ensino localizada numa zona de conflito foi entregue à Polícia Militar. E, em Brasília, a diretora de um colégio acionou proteção policial para livrar o local de traficantes que frequentemente invadiam a unidade.
A reportagem também mostrou os impactos negativos dos conflitos no desempenho dos alunos e no trabalho dos professores, bem como a melhora dos indicadores de ensino em colégios afetados por programas sociais voltados para as escolas e seu entorno.
EXTRA: PRÊMIO DE 1ª PÁGINA
O Jornal “Extra”, publicado pelo Infoglobo Comunicações, ganhou o especial de primeira página, com o trabalho Do tronco ao poste, de Santo Mesquita, Octávio Guedes, Denise Ribeiro, Marcelo Senna, Marlon Brum, Vivianne Cohen e Clóvis Saint-Clair.
O prêmio Esso de Jornalismo foi para os repórteres do “Estado de S. Paulo” Paulo Saldaña, Rodrigo Burgarelli e José Roberto Toledo, com o trabalho Farra dos Fies, que mostrou que o programa consumiu R$ 28 bilhões em quatro anos, endividando alunos que dificilmente terão condições de ressarcir os cofres públicos.
Homenagem especial foi concedida pela comissão final de premiação à figura do Repórter, com a distinção de Melhor Contribuição à Imprensa. Em declaração, os jurados destacaram que “o jornalismo depende fundamentalmente do Repórter”, e que a homenagem se estende “aos autores dos 1.021 trabalhos inscritos para a 60ª edição da premiação, aos milhares de ex-participantes ao longo de seis décadas e aos que levarão adiante a bandeira do Jornalismo”.
A TV FOLHA recebeu a distinção de Melhor Contribuição ao Telejornalismo pela reportagem “Boyhood Bolsa Família”, trabalho que se destacou pelo acompanhamento, por 10 anos, de famílias dependentes do programa social de distribuição de renda.
Seguem os outros premiados:
FOTOGRAFIA: Dida Sampaio, com a foto Lava Jato Planalto, publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”
INFORMAÇÃO ECONÔMICA: Vicente Nunes, Rosana Hessel, Antonio Temóteo, Deco Bancillon, Diego Amorim, Sílvio Ribas, Bárbara Nascimento, Simone Kafruni e Ana Paula Lisboa, com o trabalho O Brasil cai na real, publicado no “Correio Braziliense”.
INFORMAÇÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA OU AMBIENTAL: Dimmi Amora, Lalo de Almeida, Eduardo Geraque, FErnando Canzian, Rafael Garcia, Marcelo Leite, Pilker, Luiz Antonio Del Tedesco, Fabio Marra, Mário Kanno, Lucas Zimmermann, David Garroux, André Moscatelli e Bruno Scatena, com o trabalho Líquido e Incerto – o futuro dos recursos hídricos no Brasil, publicado na “Folha de S. Paulo”.
CRIAÇÃO GRÁFICA, categoria jornal: Carlos Felipe Araújo Goes, com o trabalho O Quinze, publicado no “Diário do Nordeste” , do Ceará. DIÁRIO DO NORDESTE (CE).
CRIAÇÃO GRÁFICA, categoria revista: Rafaela Ranzani, Fernando Luna, Ciça Pinheiro, Micheline Alvesw, Kiki Saraiva, Frederico Ramos, Lia Bock, Emilio Fraia, Lia Hama, Natacha Cortêz, Adriana Verani e Alex Bezerra, com o trabalho Especial Vagina, publicado nas revistas TRIP e TPM.
REGIONAL NORTE/NORDESTE: Emídia Felipe e Adriana Guarda, com o trabalho Documento Suape 2015, publicado no “Jornal do Commercio” (PE).
REGIONAL CENTRO-OESTE: Julia Chaib e Marcella Fernandes, com o trabalho Racismo, um crime silenciado, publicado no “Correio Braziliense”.
REGIONAL SUL: Luísa Martins e Júlio Cordeiro, com o trabalho Cicatrizes, publicado no “Zero Hora”.
REGIONAL SUDESTE: Leonencio Nossa e Dida Sampaio, com o trabalho Favela Amazônia, publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”