Para sustentar que conseguirá levar inflação para a meta em 2016, Banco Central divulga estudo interno
Redação DM
Publicado em 24 de junho de 2015 às 10:51 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – Sob críticas de que, ao manter a promessa de que o IPCA será de 4,5% no fim de 2016, ignora o efeito que a inflação deste ano terá no ano que vem, o Banco Central (BC) divulgou um estudo interno para ajudar seu discurso. Um capítulo inteiro do relatório trimestral de inflação foi dedicado ao trabalho dos técnicos sobre a persistência inflacionária. Ao contrário da maioria dos exercícios sobre o tema, os economistas da autoridade monetária tentaram identificar as diferenças na dinâmica da inflação em resposta a choques em cada setor.
A conclusão foi que os preços administrados — o grande vilão deste ano — têm um grau de persistência menor que a alta dos preços industriais. Ou seja, que a contaminação da estourada inflação de 2015 no ano que vem será menor do que esperam os economistas em suas projeções atuais.
“Os resultados indicam diferenças na dinâmica inflacionária, sendo a propagação da inflação mais alta nos preços do setor de produtos industriais e mais baixa nos de administrados, sugerindo menor grau de persistência para a inflação plena deste ano”, concluiu o BC.
A previsão para o IPCA em 2016 caiu de 4,9% para 4,8%. Esse cenário de referência leva em consideração a manutenção dos juros no patamar da data de corte dos cálculos, ou seja, 13,75%. Para este ano, o relatório trimestral de inflação diz ainda que a inflação deve chegar a nada menos que 9%. A previsão anterior era de 7,9%.
A tarefa do BC era deixar a inflação em 4,5% ou, no máximo, 2 pontos percentuais acima dentro da margem de tolerância. Foi nesse intervalo que o índice oficial ficou nos últimos anos, mas agora deve estourar e muito o teto de 6,5%. O Banco Central já admitiu que não pode fazer nada mais para salvar sua missão em 2015.s