Pesquisa mostra apoio de 68% dos brasileiros ao fim da escala 6×1
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 18 de maio de 2026 às 11:48 | Atualizado há 2 meses
Debate sobre o fim da escala 6x1 ganha força no Congresso Nacional e conta com apoio da maioria da população | Foto: Pixabay
Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho e um de descanso —, segundo pesquisa Genial Quaest realizada entre os dias 8 e 11 de maio. O levantamento ouviu 2.004 brasileiros acima de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O fim da escala recebeu o apoio de 68% dos entrevistados. Em dezembro, 72% haviam sido favoráveis à redução da jornada. São contra a mudança 22% dos entrevistados e 7% não sabem ou não responderam.
A redução da jornada de trabalho sem diminuição do salário está sendo debatida por comissão especial na Câmara dos Deputados. O relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) deve ser apresentado nesta quarta-feira (20).
Os resultados são semelhantes aos de pesquisa Datafolha realizada em março, quando 71% dos entrevistados disseram ser favoráveis à diminuição da jornada.
Apoio varia conforme posicionamento político
O levantamento mostra ainda que o cenário eleitoral pode estar influenciando os trabalhadores. Entre dezembro e maio, caiu o apoio de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao fim da escala 6×1. Em dezembro, 92% dos que votaram no atual presidente disseram ser favoráveis à mudança. No levantamento atual, o percentual é de 76%.
Na esquerda não lulista, o apoio se mantém praticamente estável, passando de 89% em dezembro para 88% agora. Entre a direita não bolsonarista também houve estabilidade. O total dos que apoiam o fim da escala 6×1 é de 55%, ante 52% em dezembro.
A margem de erro para os recortes por apoio político é maior, de cinco ou seis pontos percentuais, a depender da região do país.
Quando se trata da redução da jornada com diminuição salarial, cai o total dos que apoiam o fim da escala 6×1. Neste caso, 60% dizem que são favoráveis, 39% são contra e 4% não souberam ou não responderam.
A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03598/2026, protocolada no dia 7 de maio.
O que deve mudar na Constituição
O primeiro ponto da Constituição a ser alterado pela PEC é o parágrafo 13 do artigo 7º, onde atualmente a jornada máxima é de 44 horas semanais. A proposta prevê redução para 40 horas.
A redação deve ficar da seguinte forma: “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.
“Lembrando que eu quero dizer que nós estamos tratando de diminuição do teto máximo e não de compressão de jornada. Quem tá abaixo de 40 continua com a sua jornada de trabalho”, afirmou Leo Prates.
Outro ponto a ser alterado está no parágrafo 15 do mesmo artigo, que trata do repouso semanal remunerado. Como o acordo prevê aprovação da escala 5×2, a Constituição deve passar a garantir “direito a dois repousos semanais remunerados, um deles preferencialmente aos domingos”.
O terceiro ponto prevê incluir um veto à redução salarial, com punição para empresas que descumprirem a norma. Segundo Prates, caso seja criada uma regra de transição para adaptação das empresas, aquelas que reduzirem salários perderão o direito a benefícios ou flexibilizações previstas no período de adaptação.
Embora afirme ser apenas um “taquígrafo” do presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Prates indicou que as diretrizes principais já estão definidas. “Essas seriam as ideias básicas”, afirmou.
Entenda o fim da escala 6×1
As mudanças na Constituição estão sendo debatidas no Congresso por meio de duas PECs: a 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foram apensadas.
As propostas alteram o parágrafo 13 do artigo 7º da Constituição e estabelecem diretrizes gerais para trabalhadores urbanos e rurais.
As duas PECs reduzem a carga horária semanal de 44 para 36 horas. A proposta de Erika Hilton, elaborada em conjunto com o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), também prevê a adoção da escala 4×3. No entanto, após acordo entre o governo federal e a Câmara dos Deputados, a jornada deve ser fixada em 40 horas semanais. (Cristiane Gercina/FOLHAPRESS)