Pesquisas mostram empate técnico no referendo grego sobre as medidas de austeridade
Redação DM
Publicado em 6 de julho de 2015 às 15:42 | Atualizado há 11 anosATENAS – A Grécia está dividida em relação ao que vai votar no referendo deste domingo sobre as medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais em troca de ajuda financeira. Duas pesquisas divulgadas nesta sexta-feira mostram a proximidade dos números tanto de quem vai votar no “sim” quanto no “não”.
Uma sondagem realizada pela Bloomberg News mostra empate técnico, com 43% pretendendo dizer “não” aos termos exigidos por Fundo Monetário Internacional (FMI), banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE). Outros 42,5% devem dizer “sim” às condições, segundo o levantamento feito com 1.042 pessoas pelo Instituto de Pesquisa de Estudos Econômicos e Sociais Aplicados da Universidade da Macedônia. Um total de 14,5% não sabem como votarão ou não responderam. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo.
O apoio ao “não” tem caído desde sábado, quando 52% disseram que votariam nessa opção, segundo a pesquisa da Bloomberg. Já o “sim” ganhou espaço após o fechamento dos bancos na segunda-feira, Até então, apenas 26,5% votariam a favor de mais austeridade.
A opção “sim” no referendo grego, ou seja, a aceitação das condições dos credores, superou levemente o “não”, apoiado pelo governo, com 44,8% das preferências contra a 43,4%, segundo uma outra pesquisa, publicada nesta sexta-feira pelo jornal “Ethnos”. O levantamento, realizado pelo Instituto Alco entre 30 de junho e 1º julho, depois da instauração do controle de capitais na Grécia, mostra que 11,8% das pessoas entrevistadas continuam indecisas, a poucos dias da votação.
A pesquisa também revelou que 74% dos consultados desejam permanecer com o euro contra 15% que querem uma moeda nacional. Já 11% estão indecisos.
A constitucionalidade da votação, no entanto, será avaliada nesta sexta-feira pela Justiça da Grécia. Dois indivíduos entraram com uma ação contra a realização do referendo.
NEGOCIAÇÕES DIFÍCEIS COM QUALQUER RESULTADO
Uma vitória do “sim”, defendida pelos credores internacionais e pelos partidos de oposição ao premier Alexis Tsipras, pode levar a uma renúncia do governo e à continuação da ajuda. O ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, já anunciou que renunciará ao cargo se o “não” perder a disputa.
Já o presidente do conselho de ministros das Finanças da zona do euro, Jeroen Dijsselbloem, descartou como “completamente falsa” a afirmação do ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, de que a Grécia está perto de alcançar um acordo com seus credores.
Dijsselbloem, que também é ministro das Finanças da Holanda, disse que a Grécia enfrenta um futuro difícil independentemente do resultado do referendo de domingo sobre se aceita o resgate, e que medidas fiscais são inevitáveis.
— Qualquer político que diga que isso não seria necessário no caso de um voto “não” está enganando seu povo — disse Dijsselbloem após uma reunião de gabinete na Holanda nesta sexta-feira.
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou nesta sexta-feira que uma vitória do “não” no referendo de domingo na Grécia deixará o governo de Atenas em posição “consideravelmente frágil” para negociar.
— Se os gregos votarem “não”, a posição da Grécia será consideravelmente frágil — disse Juncker em uma entrevista coletiva em Luxemburgo, ao lado do primeiro-ministro luxemburguês Xavier Bettel, que marcou o início da presidência semestral da União Europeia do Grão-ducado.
Juncker destacou que mesmo no caso de vitória do “sim”, as negociações serão difíceis com Atenas. Já Bettel afirmou que o referendo de domingo “não é um voto a favor ou contra (o primeiro-ministro grego Alexis) Tsipras“.
— Deveremos respeitar a escolha dos gregos, não podemos dizer que eles se equivocam — completou, ao concordar com Juncker sobre a dificuldade das negociações com Atenas, independentemente de uma vitória do “sim” ou do “não”.