Petroleiras cortam só 0,1% produção global de petróleo com preço baixo
Redação DM
Publicado em 5 de fevereiro de 2016 às 05:05 | Atualizado há 10 anosNOVA YORK – Após um ano de preços baixos, apenas 0,1% da produção mundial de petróleo foi reduzida por não ser lucrativa, de acordo com um relatório de consultores da Wood Mackenzie que destaca a resiliência do setor. A análise, publicada antes da reunião anual do setor petroleiro, que acontecerá em Londres na próxima semana, sugere que os preços do petróleo terão que cair ainda mais — ou continuar em baixa por mais tempo — para reduzir significativamente a produção mundial.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e grandes empresas de petróleo, como BP e Occidental Petroleum, apostam que os preços baixos vão levar a uma redução da produção e, eventualmente, elevar os preços. Isso está demorando mais do que se esperava, em parte por causa da resiliência do setor de gás xisto dos EUA e da desvalorização da moeda em países ricos em petróleo, que reduziu custos de produção em países como Rússia e Brasil.
A análise da Wood Mackenzie oferece uma estimativa para a quantidade que sofreu um impacto direto dos preços baixos – 100 mil barris por dia desde o início de 2015 – ao invés de ser afetada por novos projetos e queda de envelhecimento dos campos . O Canadá, os Estados Unidos e o Mar do Norte foram os mais afetados por fechamentos relacionados a preços baixos.
‘ASSUMIR O PREJUÍZO’
A Agência Internacional de Energia (AIE) de fato estima mudanças ano a ano e diz que a produção mundial no quarto trimestre foi de 96,9 milhões de barris por dia. A AIE prevê que, fora da Opep, a produção cairá neste ano em 600 mil barris por dia, a maior queda anual desde 1992. No ano passado, a produção de fora da Opep subiu em 1,4 milhão de barris por dia.
“Desde a queda dos preços do petróleo no ano passado tem ocorrido relativamente poucas suspensões de produção”, de acordo com o relatório da consultoria.
A empresa, que acompanha a produção e os custos em mais de 2 mil campos de petróleo em todo o mundo, estima que outros 3,4 milhões de barris diários de produção estão perdendo dinheiro com os preços atuais, cerca de US$ 34 o barril. Ela chamou a atenção para a expectativa de mais fechamentos, porque “muitos produtores continuarão a assumir o prejuízo na esperança de que os preços se recuperem”.
Para as grandes empresas de petróleo, alguns poucos meses de prejuízo podem fazer mais sentido do que pagar para desmontar uma plataforma no Mar do Norte ou interromper e reiniciar um projeto, o que poderia demorar meses e custar milhões de dólares.
— Há obstáculos para a saída — disse Robert Plummer, vice-presidente de pesquisa de investimento da Wood Mackenzie.
PREÇOS ‘IRRACIONAIS’
Khalid al-Falih, presidente do conselho da empresa de petróleo estatal da Arábia Saudita, a Saudi Aramco, disse no mês passado que os preços atuais são “irracionais” porque estão baixos demais para justificar o investimento em produção nova. Mas acrescentou:
— No curto prazo, embora haja excesso de capacidade, os preços são definidos por custos variáveis e a maioria dos produtores consegue pagar o custo de dinheiro dentro do preço atual.
A produção de petróleo ainda pode cair com as empresas deixando de investir e de perfurar novos poços, permitindo que a produção caia naturalmente. Com o envelhecimento dos campos, a produção normalmente cai de 5% a 10% ao ano. Os novos poços de gás xisto dos EUA têm taxas de declínio mais acentuadas, então a produção das empresas cai mais rapidamente se elas não perfurarem novos poços.
Além do declínio natural e da falta de novos investimentos, o relatório da Wood Mackenzie sinaliza que a produção continuará resiliente.
“Ter o caixa negativo significa simplesmente que os custos de produção são mais altos do que o preço recebido. Isso não significa necessariamente que a produção será interrompida”, afirma o documento.
EUA: MENOS SONDA
As petroleiras americanas reduziram o número de sondas de exploração de petróleo em atividade no país pela sétima semana consecutiva, para os menores níveis desde março de 2010, mostraram dados nesta sexta-feira, com as empresas continuando a reduzir gastos devido ao colapso nos preços do petróleo.
As petroleiras removeram 31 sondas de petróleo na semana encerrada em 5 de fevereiro, o maior corte desde abril do ano passado, reduzindo a contagem de sondas para 467, disse a companhia de serviços de petróleo Baker Hughes em um aguardado relatório semanal.