Possível entrada da rede McDonald’s no Irã divide cidadãos no país
Redação DM
Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 03:20 | Atualizado há 10 anosNOVA YORK – Além de uma possível derrubada do preço do petróleo, a suspensão de algumas sanções americanas ao Irã, no último final de semana, levantou outro grande questionamento: será que as icônicas batatas fritas do McDonald’s poderão entrar no país muçulmano? Nas redes sociais, os iranianos se dividem entre os que amam e os que odeiam a empresa. Enquanto alguns enxergam as batatas como o símbolo da entrada do Irã ao mundo moderno, outros criticam a rede de como uma das piores representações da ganância americana.
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A empresa respondeu então publicando em seu site uma “ficha de cadastro de franquias para o Irã”. O objetivo era avaliar se os iranianos gostariam de abrir um restaurante em seu país. A companhia deixa claro, contudo, que nenhuma movimentação está sendo realizada — pelo menos por enquanto.
A realidade é que gigantes americanas, como McDonald’s e Apple, não podem entrar no Irã. Isso porque, na prática, cidadãos e empresários americanos continuam sem poder fazer negócios com eles. O principal embargo dos EUA, que proíbe praticamente todo o comércio entre empresas americanas com o Irã, ainda está em vigor.
“Aliás, a oferta nunca nem esteve de pé”, disse John Hughes, diretor sênior no grupo de Albright Stonebridge e antigo funcionário do Departamento de Estado, que trabalhou em sanções, à CNN Money.
As sanções suspensas no fim de semana tinham principal objetivo de permitir que cidadãos e empresas não americanos pudessem negociar com o Irã, sem temer penalidades por parte dos EUA.
Nesse movimento, a Europa abriu suas portas. O fim das sanções representa uma enorme oportunidade para o mercado europeu, cujas empresas como Daimler e Siemens já estão negociando contratos no país.
“Essa ação torna as empresas americanas as maiores prejudicadas no negócio nuclear”, afirmou à CNN Money Majid Rafizadeh, estudioso de Harvard sobre o Oriente Médio.
Mais prejudicadas porque, apesar de não poderem entrar no país, há uma clara demanda dos produtos ofertados por McDonald’s e Apple — o que os coloca em uma posição desconfortável. Isso porque o Irã representa um novo mercado de 80 milhões de pessoas, com 60% da população abaixo dos 30 anos (faixa etária que mais consome os produtos). Uma filial europeia, contudo, seria permitida.
“Se uma empresa como a Apple ou HP quiser se envolver com o Irã, terá que fazê-lo com suas filiais estrangeiras”, explica à CNN Money Patrick Clawson, diretor de pesquisa do Instituto de Washington. “Ainda assim, eles têm de estabelecer uma linha muito clara para se certificar de que suas filiais estrangeiras não estejam se reportando à alguma nacional americana”.
Em resumo, os americanos não podem ser envolvidos em tomadas de decisão ou em negócios.
O QUE OS ESTADOS UNIDOS GANHAM?
O grande objetivo é eliminar a ameaça de um Irã nuclear — que afeta as empresas ao redor do mundo. O acordo também permite que o país americano importe itens como pistache, caviar e tapetes iranianos.
Por outro lado, os EUA podem agora exportar aviões comerciais para o Irã, o que deve impulsionar a Boeing. Remédios e alguns produtos de tecnologia de consumo também estão autorizados a serem exportados, embora a maioria das empresas precisem de um levantamento do Escritório de Controle de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, antes de enviarem qualquer produto ao país.