Presidente da CNI defende o desfecho ‘mais rápido’ para impeachment
Redação DM
Publicado em 16 de dezembro de 2015 às 04:25 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, defendeu o que processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff tenha o desfecho — qualquer que seja — o mais rápido possível. Segundo ele, só após essa decisão, o clima deve voltar a ficar favorável para o investimento e a retomada do crescimento do país. Ele ressaltou, entretanto, que se o vice-presidente Michel Temer assumir, haveria um período de “graça e benevolência”. Em entrevista coletiva, ele também pediu a permanência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no cargo.
Em meio à crise política, a diretoria da CNI decidiu não tomar posição oficial em relação a defender ou não o impeachment. De acordo com Andrade, havia diretores com opiniões a favor e contra a presidente. Por isso, institucionalmente, a entidade pede apenas celeridade na tramitação. Qualquer que seja o resultado seria benéfico para o crescimento.
— Se a presidente Dilma for absolvida, ela terá mais força para tomar decisões. Se por um acaso tiver impeachment, e o Michel Temer assumir, ele terá um período de graça e benevolência para fazer as reformas necessárias. Será um período rápido porque o povo brasileiro não terá tanta paciência como antes — avisou o presidente da CNI.
Para Robson Andrade, a política brasileira está “dilacerada” e isso impacta diretamente as expectativas dos empresários, que estão divididos em relação ao impeachment da presidente. Uma pesquisa interna da confederação colheu a opiniões de industriais. Algumas entrevistas foram feitas antes e outras depois da decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, inciar o processo de afastamento de Dilma. Isso influenciou as respostas que, segundo Andrade, estão divididas.
— Aquilo já teve um impacto na confiança do empresário — frisou. — Estamos chegando numa situação de caos e temos de chegar a uma solução.
Ele diz que sua maior preocupação é o com a possível saída do ministro da Fazenda do cargo. Na verdade, com quem assumirá o lugar dele. Robson Andrade afirmou que 2015 foi um ano perdido para a economia, mas não teria sido culpa de Levy, já que não deixaram o ministro trabalhar: não teve apoio nem dentro do governo e muito menos do Senado e da Câmara.
Isso prejudicou bastante o “inacreditável” quadro fiscal. Por não ter feito as mudanças necessárias, o Brasil corre o risco de ter um novo déficit fiscal no ano que vem de novo. Ele comparou a situação com a da Grécia, que quebrou, mas teve o auxílio dos países vizinhos porque faz parte da União Europeia.
— A Grécia pode pedir ajuda para a Alemanha, mas a gente vai pedir para quem? Só se a gente for pedir dinheiro na Venezuela — brincou.
Sobre o rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch, nesta quarta-feira, ele afirmou que já era esperado. E disse ainda que o importante é tomar medidas para recuperar o selo de bom pagador.
— O que nós temos de fazer agora é falar: nós fomos rebaixados e temos que fazer para recuperar o grau de investimento?