Presidente do Banco Central Europeu diz que não há limites para estímulos
Redação DM
Publicado em 5 de dezembro de 2015 às 02:30 | Atualizado há 11 anosNOVA YORK – Em um discurso a investidores de Wall Street, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, reforçou sua promessa de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para estimular a Europa em estagnação para uma recuperação completa.
Sua fala — com uma linguagem firme e declaração clara de objetivos — pareceu uma tentativa de responder à fraca reação do mercado após o anúncio das últimas medidas de estímulo, na quinta-feira.
Draghi afirmou que “não limite específico sobre quais ferramentas podem ser empregadas” pelo banco central para estimular a demanda, e especialmente, atingir seu objetivo de elevar a inflação para 2%. Ele enfatizou, ainda, o efeito da decisão de estender o programa de compras de € 60 bilhões em títulos por mês até março de 2017.
Isso vai significar que € 680 bilhões em dinheiro extra — cerca de 6,5% do montante total da economia da zona do euro — serão aplicados nos mercados de capitais da Europa até 2019, lembrou aos investidores.
O discurso firme de Draghi ocorre pouco mais de três anos depois de uma manifestação também dura do presidente do BCE. Em julho de 2012, em evento com investidores em Londres, ele falou as palavras que ecoaram por muito tempo, que “faria o que for preciso para salvar o euro”.
Naquele momento, as palavras de Draghi deram a confiança para a retomada do mercado. Agora, no entanto, é um momento diferente. Ao contrário de 2012, não há uma ameaça existencial ao euro. Mas depois de um ano de estímulos o mercado já esperava qual seria a próxima decisão do “Super Mario”, como o presidente do BCE passou a ser conhecido.
O presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, citou as famosas palavras de Draghi e questionou a razão de uma reação mais fraca do mercado esta vez. O presidente do BCE foi cauteloso e afirmou estar ciente das críticas dos analistas de que ele estaria segurando medidas mais agressivas.
— Como bancos centrais em todos os locais, nós temos algumas divergência. Mas a questão é que o quatitative easing (estímulo) está aqui para ficar — disse.
Draghi acrescentou, ainda, que o Banco Central Europeu tem “o poder de agir, a determinação de agir, e o compromisso de agir”.