Economia

Realização da coragem

Redação DM

Publicado em 13 de maio de 2015 às 02:46 | Atualizado há 11 anos

 

 

A 70ª Exposição Agropecuária de Goiás, que se realiza em Goiânia, é a “mostra da coragem” para o pecuarista Augusto Zacharias Gontijo. O ex-presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) avalia a atual conjuntura econômica como adversa. A atual diretoria mudou radicalmente a questão do espaço. Agora, os shows se dão num momento e os animais noutro distinto. “Com isso, os leilões estão de volta e as perspectivas de melhores negócios”, observa Augusto Gontijo, que compareceu à missa de domingo em homenagem aos fazendeiros e numa panorâmica ligeira viu “poucos animais” nos pavilhões.

O grosso dos animais costuma chegar tão logo encerre a Expozebu, de Uberaba (MG). Aliás, a 81ª edição da ExpoZebu terminou no último domingo  com um faturamento de R$ 46.432.940,00, valor referente às vendas de animais ocorridas em 34 leilões. A maior feira de zebuínos, promovida entre os dias 3 a 10 de maio, encerrou com uma média por animal 3% maior que a registrada em 2014, atingindo um valor por animal de R$ 31.352,42. Ao todo foram comercializados 1.481 animais. O exemplar mais caro foi a fêmea da raça nelore Predileta da Santarém, vendida 50% de sua posse por R$ 1.104.000,00. Além dos leilões, ocorreram vendas de animais em quatro shoppings, porém a comercialização ainda está sendo apurada.

O arrojo que Augusto Gontijo faz questão de observar é que a nova diretoria da SGPA, liderada pelo empresário Hugo Goldfeld, assumiu com uma dívida considerada astronômica, superior a R$ 3 milhões, para uma entidade de pouca receita e que detém menos de cinco mil sócios. Num curto período de tempo, está conseguindo realizar uma exposição de certa maneira grandiosa. A expectativa de público é de 200 mil a 300 mil pessoas e a de volume de negócios uma cifra de R$ 80 milhões. Em Ribeirão Preto (SP), os negócios ficaram aquém 20% em comparação à edição anterior. Mas a 81ª Expozebu surpreendeu. E as perspectivas em Goiânia é que a 70º Expo Goiás supere através dos leilões previstos.

Do ponto de vista macro-econômico, Augusto Gontijo mostra-se mais cauteloso. Em sua análise, o processo inflacionário corrói a renda de qualquer cidadão.  Se o dólar enfraquece o real, as exportações das commodities agropecuárias são favorecidas. Mas os fertilizantes e os produtos veterinários e demais insumos importados ficam também mais caros. Ele tira como exemplo os seus próprios negócios. O milho e a soja que custavam na última safra um determinado preço, encontram-se agora em situação inferior.

“É preocupante a situação brasileira”, declara, levando em conta a falta de investimentos, a fuga dos investidores, o crescente desemprego, a inflação que cresce, o poder de consumo cai. “Ninguém quer comprar máquinas e implementos agrícolas nessa hora”, observa. Em sua opinião, o Brasil não sairá da crise econômica em menos de dois anos.

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