Economia

Recuperação judicial pode ser parte da solução para a Petrobras, diz investidor

Redação DM

Publicado em 5 de fevereiro de 2016 às 03:30 | Atualizado há 10 anos

SÃO PAULO – O especialista em mercados emergentes Mark Mobius, que faz a gestão de US$ 30 bilhões na Franklin Templeton, considera que um pedido de recuperação judicial poderia ser viável para a Petrobras em seu processo de reestruturação das dívidas e dos negócios.

— O “capítulo 11” poderia ser parte da solução. Há os aspectos legais, que podem ser difíceis por conta das garantias que são dadas — disse, lembrando que os bancos já provisionaram perdas para a Petrobras desde a eclosão da operação Lava Jato.

Mobius cita o “capítulo 11” da Lei de Falências americana — a General Motors precisou acionar esse dispositivo em 2008 — como sinônimo de recuperação judicial, instrumento também existente no Brasil. No entanto, a lei 11.101, que trata do assunto no Brasil, não se aplica a sociedades de economia mista, como a Petrobras.

O presidente-executivo da Templeton Emerging Markets Group lembrou que esse tipo de recuperação organizada ajuda no processo de reestruturação de dívidas e é altamente recomendável. Ao final do terceiro trimestre, a dívida da estatal era de R$ 507 bilhões, sendo que a maior parte está atrelada à variação do câmbio.

— Uma reestruturação faz muito sentido pois a dívida da Petrobras atualmente não está gerenciável — afirmou durante entrevista a jornalistas, em São Paulo.

Ele acredita que uma reestruturação é algo realista, uma vez que fica estabelecido um processo claro para a renegociação das dívidas. O executivo também avalia a necessidade da venda de ativos e do governo colocar dinheiro na companhia.

Na avaliação de Mobius, apesar da situação da Petrobras, as ações da companhia poderiam se recuperar caso o preço do petróleo subisse de forma expressiva. No entanto, por ter muitas reservas em águas profundas, que têm custo de exploração mais elevado, o barril deveria ir para perto de US$ 80 — atualmente está em torno de US$ 35. No entanto, há seis meses os fundos da Franklin Templeton não possuem mais ações da estatal brasileira.

APESAR DA PETROBRAS, OTIMISMO COM O BRASIL

Para o Brasil, ele vê como maior problema de curto prazo o baixo índice de confiança. Além disso, a desvalorização do real (por ter causado perdas aos estrangeiros que colocaram recursos no país há mais tempo) e a alta taxa de juros (que dificulta a rentabilidade das empresas) são outros pontos preocupantes,

Ainda assim, acredita que algumas empresas têm potencial de sair como “vencedoras” da atual crise. Como exemplo, cita os papéis do Itaú , Unbianco, Ambev, Localiza, BM&FBovespa e BR Foods. A Franklin Templeton tem quase US$ 1 bilhão investidos em ações de empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

— As projeções para o PIB estão negativas, mas as expectativas podem ser revertidas drasticamente. É preciso saber quais empresas não vão só sobreviver, mas também vão prosperar —avaliou.

Além disso, o gestor também destacou que o país precisa fazer algumas reformas, como a trabalhista, previdenciária e fiscal, e que os escândalos de corrupção também estão em presentes em outros países.

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