Resultado deixa Grécia à mercê de decisão do BCE
Redação DM
Publicado em 5 de julho de 2015 às 07:20 | Atualizado há 11 anosBRUXELAS – Bancos de toda a Europa e até dos Estados Unidos passaram o domingo de plantão, tentando traçar possíveis cenários acerca do impacto da votação sobre os credores internacionais da Grécia. Sob temores de que, sem recursos, o sistema bancário do país entre em colapso a qualquer momento, cresce o papel do Banco Central Europeu (BCE). A instituição decide nesta segunda-feira se mantém — ou não — o programa de Assistência de Liquidez Emergencial (ELA, na sigla em inglês) para os bancos gregos, atualmente, em € 89 bilhões. E coloca o futuro da Grécia nas mãos do presidente do BCE, Mario Draghi.
No próximo dia 20 de julho, o país tem que pagar nova parcela de € 3,49 bilhões ao BCE. Para analistas do Barclays, se não houver acordo, a linha de emergência poderia ser cortada a partir do dia 20.
‘TERRITÓRIO NUNCA EXPLORADO’
O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou, na noite de domingo, que os bancos do país reabrirão normalmente na terça-feira — o que reforça a expectativa. Afinal, a decisão do BCE terá forte peso político. Draghi escolherá entre fechar a torneira ou mesmo manter congeladas as linhas de liquidez ao sistema bancário grego, onde restou menos de € 1 bilhão, apesar da política de controle de capitais, que permite apenas saques de € 60 por dia. Para especialistas, esse cenário pode não só minar os bancos gregos como afetar a população e, ainda, forçar o país a sair da zona do euro — o que seria visto como uma punição política pela vitória do “não”.
A decisão será afetada por facções mais ortodoxas — lideradas pelo Bundesbank, o banco central da Alemanha, que há meses defende cortes na assistência emergencial aos bancos gregos.
— É justo dizer que podemos esperar algumas surpresas nos próximos dias. Claramente estamos em território nunca antes explorado — ponderou Nicolas Véron, do centro de pesquisas Bruegel, em Bruxelas.
Um relatório do Royal Bank of Scotland (RBS) alertou que uma saída grega da zona do euro custaria cerca de € 227 bilhões — ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro.